quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Para advogados, Brasil vive insegurança jurídica nunca antes vista

ENTENDIMENTOS MUTANTES

Por Juliana Borba


“O empresário que vai fazer um investimento quer saber os riscos que ele vai enfrentar. O problema é que agora estamos vivendo um regime de instabilidade e insegurança jurídicos nunca antes visto, em todas as áreas”, afirma Marcelo Gômara, sócio na área trabalhista do Tozzini Freire Advogados.

De acordo com o advogado (foto), a instabilidade jurídica ficou ainda maior nos últimos anos porque “os tribunais estão praticando uma política social, que é cria da política social do governo". O resultado disso, resume ele: "mudanças brutais de entendimento sem aviso prévio. A jurisprudência muda do dia para a noite".

Gômara debateu o assunto nesta terça-feira (27/1), na apresentação do estudo 2015 Outlook for Legal Issues in Brazil, que fez um levantamento das tendências do mercado jurídico no país para este ano.

Para os sócios e chefes de departamento do escritório, os advogados precisam se adaptar ao momento de incertezas e transição pela qual o país vem passando, de forma a dar um respaldo melhor aos seus clientes, mas ainda veem com pessimismo a forma como o momento político influencia o sistema legal no país.

Os profissionais concordam que ainda há entraves culturais e práticas de Direito mais conservadoras que têm atrapalhado a solução de conflitos. “Tempos atrás, fazer uma delação premiada, por exemplo, era mais complicado, porque o advogado não ia falar para o cliente admitir o crime. Não existe essa cultura do dedo-duro no Brasil e o advogado também não queria perder o seu cliente. Hoje, pela influência de como a delação premiada se desenvolveu nos Estados Unidos e ajudou o sistema Judiciário deles e com os recentes e grandes casos no Brasil, essa mentalidade já mudou”, exemplifica Marcelo Calliari, sócio na área Direito Concorrencial do escritório.

Com tantas mudanças, o melhor jeito de preparar é um conceito já conhecido: “É necessário se reinventar. A prática de trabalho já mudou. É preciso acompanhar as mudanças de paradigmas”, afirmouAlexei Bonamin (foto), sócio na área de mercado de capitais da TozziniFreire Advogados.(foto).

O estudo divulgado foi feito por meio de uma parceria do escritório com a LatinFinance e a consultoria europeia Management & Excellence (M&E), sendo elaborada com base em entrevistas a 80 executivos de empresas de 13 setores — como petróleo e gás, logística e indústria eletrônica —, que foram questionados sobre perspectivas para o ambiente de negócios no Brasil no que diz respeito a legislação trabalhista, tributos e impostos, direito ambiental, antitruste, fusões e aquisições,compliance, propriedade intelectual e transferência de tecnologia.

Juliana Borba é repórter da revista Consultor Jurídico.
Revista Consultor Jurídico, 28 de janeiro de 2015, 8h04

sábado, 24 de janeiro de 2015

Apostar só no preço é opção arriscada para conquistar cliente

Bruno Caetano

Recentemente, um consultor do Sebrae-SP atendeu o dono de uma pastelaria que não conseguia entender porque não obtinha lucro mesmo com seu estabelecimento sempre cheio de clientes.

Após fazer um levantamento detalhado das contas do negócio, analisar custos fixos e variáveis, faturamento, encargos trabalhistas, impostos, entre outros, o consultor chegou à conclusão de que o problema estava no preço do pastel. O empreendedor havia cometido o grande equívoco de definir quanto cobrar com base nos valores da concorrência. Ele não se atentou para o fato de que se tratava de realidades diferentes e o que serve para um não é indicado para o outro.

O empresário desconhecia que o preço do seu pastel não cobria os custos de produção e quanto mais ele vendesse, mais aumentava o prejuízo. A solução proposta pelo Sebrae-SP foi elevar o valor da unidade para um mínimo – cerca de R$ 1 a mais – permitindo equilibrar os gastos e ter ganho. A primeira reação do empresário foi de receio, pois duvidava que os clientes aceitariam mudança. Mas não havia como enxugar mais os custos, por isso, ou ficava mais caro ou o empreendimento caminharia para o suicídio.

Feita a mudança na tabela, o empresário pôde comemorar: o movimento se manteve e as contas saíram do vermelho. O pastel dele tem qualidade superior à do adversário e suas instalações e atendimento são melhores. Daí a receptividade positiva do consumidor, mesmo pagando mais.

A lição que fica é que a precificação nunca pode ser feita apenas considerando o que o outro cobra. É preciso analisar o negócio como um todo, ver o que ele oferece, qual o diferencial e fazer as contas com muita atenção. Além disso, querer se destacar apenas pelo preço não é a melhor estratégia, pois torna-se insustentável com o tempo. Não se menospreza o cliente que só se importa com o cifrão, mas tenha em mente que ele é infiel e não serão os valores agregados da sua empresa que o sensibilizarão.

Portanto, antes de mais nada, pondere todos os fatores para só então decidir quanto cobrar, pois entrar numa gincana de quem é mais barato é arriscado demais.

Bruno Caetano, diretor superintendente do Sebrae-SP.

Bio Salgante: Matrix Health lança primeiro substituto do sal, sem sódio do Brasil

Muito utilizado no exterior, produto é o primeiro salgante registrado pela Anvisa que será distribuído em todo o país 

Você já pensou em comer todos os alimentos salgados que gosta sem correr o risco de aumentar sua pressão arterial? Pois é exatamente isso o que a Matrix Health apresenta ao mercado brasileiro ao lançar o primeiro salgante do país, um substituto do sal que não contém sódio.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o consumo de sal (cloreto de sódio) recomendado é de dois gramas por dia, podendo-se chegar ao máximo de cinco. Pesquisas mostram que, em geral, o brasileiro consome mais que o dobro do limite, chegando a ingerir 12 gramas de sal diariamente.

O resultado não é difícil prever. Calcula-se que mais de 44 milhões de brasileiros, cerca de 20% da população é hipertensa, necessitando praticar dietas hipossódicas. “As consequências da chamada pressão alta são muitas, sendo que em casos mais graves o paciente pode vir a ter um infarto do miocárdio, muitas vezes levando-o à morte instantânea”, afirma o sócio diretor da Matrix Health, Nilson Capozzi.

Além das pessoas que sofrem com hipertensão arterial, nota-se que a redução da ingestão de sódio também é bastante desejada pelos que adotam estilos de vida mais saudáveis, os chamados fitness. “O sódio, entre outros males, provoca inchaço e retenção de líquidos. Quem se preocupa com a saúde e beleza do corpo quer evitar isso”, completa.

O problema é tão grave que em 2012 o Ministério da Saúde e a Abia (Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação) anunciaram mais uma etapa de um programa para redução de sódio em produtos processados no Brasil, estipulando a diminuição do uso de sal nos caldos, temperos, margarinas e cereais matinais. Nas etapas anteriores, foram definidas metas de redução de sódio em produtos como massas instantâneas, pães de forma, batatas fritas e biscoitos. A expectativa é que a quantidade de sódio no mercado reduza pelo menos 8,8 mil toneladas até 2020.

Mas a cassada ao sódio acaba de ganhar um novo aliado. Depois de cinco anos de projeto, e algumas tentativas de trazer salgantes importados para o Brasil, a Matrix Health desenvolveu um salgante genuinamente brasileiro. A pesquisa foi comandada pelo experiente químico e farmacêutico, professor da USP com especialização nos EUA e colaborador de muitas empresas farmacêuticas nacionais e multi nacionais, Massayoshi Yoshida.

O produto foi testado pela Unifesp em ratos normotensos (sem hipertensão arterial) e hipertensos. O resultado é que após sete e dez dias ingerindo a dose equivalente à recomendada para ingestão humana de sal comum, tanto os normotensos como os hipertensos apresentaram aumento da pressão arterial. Com o Bio Salgente, que é à base de cloreto de potássio, ambos os grupos apresentaram a manutenção da pressão arterial. A tese vai ao encontro do conceito atual da implantação de alimentos que propiciem uma redução da ingestão de sal e terapia não medicamentosa no combate à hipertensão arterial.

O Bio Salgante, que está registrado na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), promete ser uma opção mais saudável tanto para hipertensos quanto para normotensos, certamente mudando o nosso jeito de consumir alimentos salgados. Com um paladar agradável e extremamente próximo ao do sal, muitas vezes seu uso nem foi percebido em testes cegos. Sua única restrição em relação ao sal comum é que o salgante não deve ser submetido a temperaturas superiores a 180 graus ºC, devendo passar por um processo de cozimento mais brando.

“Ficamos extremamente felizes por conseguir desenvolver um produto tecnicamente tão bom e capaz de auxiliar na manutenção da pressão arterial. Isso certamente garante mais sabor e prazer às pessoas que são obrigadas a manter dietas hipossódicas e àquelas que desejam preservar-se dos malefícios do sal, como a retenção de líquidos e sobrepeso hídrico”, conclui Capozzi.

PiniOn faz pesquisa de satisfação sobre as principais companhias aéreas brasileiras

Juliana Gusmão
juliana.gusmao@sevenpr.com.br
por imcgrupo.com 


O PiniOn (plataforma mobile crowdsourcing de coleta e análise de dados para pesquisas de mercado, experiências de consumo e etnográficas) realizou uma pesquisa sobre as principais companhias aéreas brasileiras, com o público de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.

Para os paulistas, a Avianca foi a melhor avaliada, enquanto para os cariocas e brasilienses, a Azul oferece o melhor serviço.

A TAM foi apontadas nas três capitais como a companhia que oferece as passagens mais caras.
O processo de reembolso, apesar de não ser muito frequente, foi um dos itens avaliados negativamente por boa parte dos usuários.

Outros resultados interessantes da pesquisa:

Central de Atendimento: num índice que vai de “ótimo” a “péssimo”, no geral, os usuários avaliaram positivamente as centrais de atendimento das companhias aéreas. A Avianca foi a companhia que se destacou, com 68% em Brasília, 62% no Rio de Janeiro e 57% em São Paulo.

Pontualidade: para 60% dos paulistas e 69% dos brasilienses, a TAM é considerada a mais pontual dentre as companhias citadas. Já para os cariocas, a Avianca se destaca como mais pontual, com 59% das avaliações.

Serviços de Bordo: Em Brasília e no Rio de Janeiro, 46% dos participantes de ambas cidades, disseram que o serviço de bordo da Azul é ótimo; já na capital paulista, as melhores avaliações ficaram com Azul (33%) e Avianca (32%).

Recomendação: Em São Paulo, por exemplo, a Avianca é a empresa mais recomendada por 79% dos paulistas. Já no Rio de Janeiro e em Brasília, a Azul é a companhia aérea melhor avaliada, 83% pelos brasilienses e 80% pelos cariocas. Para ambos, a GOL é a companhia aérea citada com maior índice de não recomendação com 13% no Rio de Janeiro, 11% em São Paulo e 10% em Brasília.

Preço: 50% dos paulistas e cariocas consideram a TAM a companhia mais cara, já para os brasilienses esse índice é de 45%. Em Brasília, 23% consideram a GOL como a mais barata, no Rio de Janeiro 23% destacaram a Azul e em São Paulo 22% consideraram a Avianca como a companhia aérea mais barata.

Cuidado com bagagens: Em Brasília, por exemplo, 37% consideram a Azul a companhia que toma mais cuidado com as bagagens. Para 63% dos brasilienses, a Avianca é considerada pouco cuidadosa com os pertences. No Rio, Azul (48%) e Avianca (45%) se destacam pelos cuidados com as bagagens. A GOL foi citada por 22% dos cariocas como a empresa pouco cuidadosa. Em São Paulo, Azul (43%) e Avianca (42%) também foram destacadas como as que mais cuidadosas. Já o pior índice novamente ficou para a GOL, 18% dos paulistas avaliaram a companhia como pouco cuidadosa com as bagagens dos passageiros.

*Pesquisa em São Paulo – 420 pessoas
*Pesquisa em Brasília – 100 pessoas
*Pesquisa no Rio de Janeiro – 230 pessoas

10 dicas para superar traumas e medos

Professora de Psicologia da UNIFRAN orienta como enfrentar abalos emocionais 


Ao longo da vida, as pessoas estão sujeitas a situações com grande potencial estressante. Violências físicas e psicológicas, acidentes, perdas, entre outros motivos. A probabilidade de um indivíduo exposto a um trauma estressante desenvolver medo depende de vários fatores, como características da pessoa, envolvimento pessoal na situação, tipo de evento, e grau de exposição e suas consequências.

Para lidar com traumas e medos, Teresa Cristina Imada, coordenadora do curso de Psicologia da Universidade de Franca (UNIFRAN), listou 10 dicas:

1) Busque informações sobre a situação ou objeto aversivos: o conhecimento contribui para aumentar a sensação de controle e a possibilidade de fazer isso.

2) Avalie se há razões reais para o medo: há situações e objetos que oferecem riscos reais e outros não. Diferenciá-los é necessário para que você decida se você deve enfrentar o medo ou evitar as situações que o despertam.

3) Identifique alternativas para minimizar os riscos reais; por exemplo, se tem medo de passar por uma rua escura, mude seu trajeto.

4) Controle a ansiedade através de técnicas de relaxamento: exercícios respiratórios, focalização da atenção, visualização, entre outros.

5) Faça um levantamento das experiências em que você obteve sucesso no enfrentamento de situações ou objetos aversivos e/ou estressantes: isso lhe dará mais autoconfiança.

6) Planeje formas de enfrentar seu medo ou trauma: imagine-se lidando com a situação com adequação e autocontrole.

7) Em caso de medo em que não há risco real de dano pessoal, exponha-se gradualmente à fonte de medo. O contato progressivo com o objeto ou situação estressante, em situação controlada, possibilita a redução gradual da ansiedade.

8) Busque ajuda em familiares ou colegas para enfrentar a situação aversiva. O suporte social pode ser muito útil para que você tenha a força e a coragem para lidar com seus traumas e medos.

9) Gratifique-se a cada progresso que fizer no sentido de enfrentamento da situação ou objeto aversivo.

10) Se sentir que não consegue lidar com seu medo sozinho, busque a ajuda profissional de um psicólogo.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Stress é o 4º maior problema de saúde no mundo

Assunto foi abordado durante palestra com o tema FIB nas Empresas: O Impacto de Felicidade no Trabalho – Como Tornar o Stress a Seu Favor realizada no CIESP Sorocaba

No Brasil, 93% dos colaboradores de empresas e indústrias se sentem estressados, segundo a Associação Internacional de Gerenciamento do Estresse. Desses 93, 86% sentem dores musculares e 69% cansaço crônico. Esses dados assustam, mas são um alerta para as pessoas que fazem parte desta estatística e sentem-se estressados e sem energia para suas atividades do cotidiano. Além disso, a depressão é o 4º maior problema de saúde pública no mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). As informações foram dadas durante a palestra FIB nas Empresas: O Impacto de Felicidade no Trabalho – Como tornar o Stress a Seu Favor, promovida no dia 28 de outubro pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP), regional Sorocaba, por meio de seu Departamento de Relações Humanas. 

A palestrante, psicóloga e antropóloga Susan Andrews, abordou questões relacionadas à Felicidade Interna e Bem Estar (FIB), stress, controle emocional, importância da comunicação e da cooperação no sucesso profissional e pessoal. Segundo a antropóloga, pessoas felizes trabalham melhor e consequentemente, obtêm melhores resultados profissionais dentro do ambiente de trabalho. “As pessoas que são felizes apresentam melhora no sistema imunológico, são mais resistentes em situações extremas e são melhores líderes, além de serem mais felizes nas relações interpessoais e se saem melhor nas entrevistas de emprego”, afirma. 

Uma pesquisa feita pela Denison Consulting, nos EUA, mostrou que empresas com funcionários infelizes aumentaram suas vendas em 0,1% de 1996 a 2004, enquanto que as empresas com funcionários felizes aumentaram suas vendas em 15%, explica Susan. 

Ainda de acordo com a palestrante, estudos apontam que pessoas materialistas são ansiosas, têm maior risco de depressão, são mais irritadas e assistem mais televisão. Durante a palestra, a psicóloga aplicou uma técnica de relaxamento e automassagem, para que as pessoas pudessem acalmar seus sistemas nervosos através da respiração e diminuir a adrenalina e o cortisol, por conta da rotina estressante. 

“Saber como ‘esfriar a cabeça’ e ‘dar um tempo’ rapidamente, até mesmo no meio daquelas situações extremamente estressantes da vida cotidiana é o segredo para gerenciar o stress. Uma das formas mais simples de nos tornarmos mais felizes é a respiração correta. Em meio a nossa frenética rotina do dia-a-dia é importante inserir pausas e respirar profundamente para sintonizar com a nossa felicidade interior”, ressalta.

Conheça alguns sintomas de stress

- Falta de energia

- Mais esforço para concluir atividades rotineiras

- Diminuição da produção no trabalho

- Dificuldade para acordar para trabalhar

- Melancolia e depressão

Segundo o 1º vice-diretor do CIESP Sorocaba, Erly Domingues de Syllos, a palestra visa integrar todos os setores das indústrias. “A FIB ajuda a somar no dia a dia dos colaboradores para aumentar a produtividade de forma saudável e criar laços de afetividade entre as pessoas”, explica. 

Para a assistente de recursos humanos da empresa Herman Plast, Jéssica Karoline Prado, felicidade no trabalho é realizar atividades, visando melhores resultados. “Um ambiente agradável com pessoas bem humoradas auxilia na produção de resultados positivos”, conclui. 

Outras informações sobre o CIESP Sorocaba podem ser obtidas pelo site www.ciespsorocaba.com.br.

81,1% dos brasileiros preferem trabalhar com o que gosta e ganhar menos, diz Pesquisa da Catho

Estar feliz com a vida profissional, amar o que faz, trabalhar no emprego dos sonhos, não são tarefas das mais fáceis. Para entender o que o brasileiro pensa sobre o ‘Emprego dos Sonhos’, a Catho, site de empregos líder no Brasil, realizou uma pesquisa que mostra as características que eles mais valorizam na vida profissional.

Para 43,4% dos respondentes, a Qualidade de Vida é o que melhor define o ‘Emprego dos Sonhos’. Já para 13,2% e 12,9, Horário Flexível e Autonomia nas Decisões, respectivamente, são as principais características.

Em uma outra pergunta, os brasileiros foram colocados à prova. Perguntados se preferem ganhar bem mesmo que não façam o que realmente gostam ou trabalhar com o que realmente gostam mesmo que ganhem menos, a grande maioria (81,1%) diz preferir a primeira opção e dão mais valor a fazer o que gosta em relação ao salário.

“As pessoas estão buscando mais qualidade de vida e mais tempo com a família. Tanto homens como mulheres preferem ter um trabalho que o realize mesmo que tenha um salário menor nesse emprego. Fazer algo que realmente se consiga entregar um resultado que satisfaça a empresa e, principalmente, a si próprio e fazer a diferença, são características que acabam refletindo na realização do trabalho ou o emprego dos sonhos”, comenta Luís Testa, head de Pesquisa e Estratégia da Catho.

A Pesquisa ainda permitiu que os 1.435 respondentes descrevessem qual a profissão dos seus sonhos. Ser empreendedor foi uma das respostas mais citadas. Entre as principais áreas de atuação, o ramo de alimentação, encabeçado por dono de estabelecimento e engenheiro de alimento, além de engenharia de maneira geral, foram as preferidas dos brasileiros.

Sobre a Catho
A Catho tem como objetivo principal facilitar contratações, funcionando como um canal entre o candidato que busca novas oportunidades e as empresas e consultorias de RH que buscam candidatos. Todos os meses, mais de 10 mil contratações são feitas por meio do site, que hoje tem mais de 290 mil vagas de emprego anunciadas. Atualmente, a Catho oferece produtos direcionados aos profissionais, como Análise e Elaboração de Currículo, Guia de Profissões e Salários, Simulação de Entrevista e Cursos Rápidos, bem como soluções para as empresas, como a Atração dos Melhores e o Recrutamento Perfeito.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

CCBB São Paulo celebra 57 anos de carreira de Carlos Bracher com exposição

Mostra do artista mineiro apresenta mais de 90 obras no CCBB SP de 29 de janeiro a 02 de março

O Centro Cultural Banco do Brasil traz para São Paulo a exposição do renomado artista mineiro Carlos Bracher, a mostra intitulada “Bracher – Pintura & Permanência”, ocorrerá de 29 de janeiro a 02 de março de 2015. O público paulista poderá conhecer aproximadamente 90 obras do pintor, uma das mais completas retrospectivas de sua carreira, que completa 57 anos. Muitos destes trabalhos foram cedidos por 20 colecionadores no Brasil, incluindo a Coleção Gilberto Chateaubriand do Museu de Arte Moderna no Rio e Museu Mariano Procópio.

São Paulo será a segunda cidade a receber a exposição, que fica até o próximo dia 12 de janeiro no CCBB Belo Horizonte, onde já teve mais de 100 mil visitantes. Estarão na exposição os retratos, umas das marcas registradas de Bracher, incluindo autorretratos, além de paisagens; marinhas; naturezas-mortas; cenas do cotidiano e as séries “Homenagem a Van Gogh”, “Do Ouro ao Aço”, “Brasília” e outras obras que representam todas as fases da carreira do artista.

A mostra do pintor, reconhecido internacionalmente como um dos mestres da pintura brasileira, contará com uma exposição interativa, com dois ambientes: a reprodução do famoso ateliê de Ouro Preto; e o Castelinho dos Bracher, em Juiz de Fora. “Neste local passei a minha infância e juventude, é uma representação fiel, que leva os visitantes ao meu olhar, vivenciando este ambiente que me levou as artes”, comenta Bracher. Nos espaços multimídia, o visitante poderá interagir com as pinceladas intensas e a própria voz de Bracher, narrando textos de sua autoria.

Além das obras de Carlos Bracher na exposição “Bracher – Pintura & Permanência”, o público poderá acompanhar uma performance ao vivo do artista no dia 11 de fevereiro, às 19h, no CCBB SP – a entrada é franca, os interessados devem retirar as senhas uma hora antes do início da sessão.

“A exposição já retrata muito bem o universo artístico do meu pai, trazendo réplicas do atelier e da casa onde ele cresceu e se inspirou; tocando as músicas que ele ouve enquanto pinta; mostrando os textos que ele escreve; entre outros elementos. Agora vamos coroar essa imersão com a participação ao vivo do artista em contato direto com o público, que poderá testemunhar o seu processo criativo”, destaca a filha e idealizadora da exposição, Larissa Bracher.

A responsável pelo áudio e vídeo é a jornalista Blima Bracher, que é filha do artista e, há sete anos, se dedica à pesquisa de textos e imagens, tendo assinado já dois documentários sobre Bracher: “Âncoras aos Céus”, de 2007, e “Das Letras às Estrelas. JK: dos Sonhos ao Sonho de Brasília”, de 2014. A curadoria da mostra é assinada pelo renomado OlívioTavares de Araújoem parceria com o próprio artista.

Após a passagem por São Paulo, a exposição seguirá para o CCBB Rio de Janeiro (31/03 a 18/05), CCBB Brasília (26/05 a 29/06) e Ipatinga na galeria do Centro Cultural Usiminas (no período de julho a setembro).

Sobre o artista

Aos 74 anos, Carlos Bracher, mineiro nascido na cidade de Juiz de Fora e casado com a pintora Fani Bracher, é o artista brasileiro que mais expôs no exterior, realizando exposições individuais há mais de 40 anos, em galerias e museus de Paris, Roma, Milão, Moscou, Japão, China, Londres, Rotterdam, Haia, Madri, Lisboa, Montevidéu, Santiago do Chile, Bogotá e Kingston. Sobre seu trabalho já foram publicados sete livros e realizados dezenas de filmes e documentários.

Na década de 1990 iniciou uma sequência de Séries Temáticas. A primeira lhe deu projeção internacional. Em 1990, Bracher percorreu os caminhos do também pintor expressionista Van Gogh realizando a série Homenagem à Van Gogh, com 100 telas pintadas no centenário de morte do artista, dando vazão a uma paixão de adolescência. A partir da série, o artista foi convidado a expor em importantes museus da Europa, América e Ásia. Em 1992 lança seu olhar ao mundo industrial, pintando a série Do Ouro ao Aço, sobre a siderurgia em Minas Gerais.

Na Série Brasília, de 2007, faz homenagem a Juscelino Kubistchek, pintando 66 quadros nas ruas e esplanadas da capital expostos no Museu Nacional, projeto de Niemeyer. Em 2012, realiza a Série Petrobras, imprimindo visão artística ao mundo industrial do petróleo. Pinta, in loco, as principais refinarias da empresa com a produção de 60 obras, entre pinturas e aquarelas.

Agora, em 2014, data dos 200 anos da morte de Aleijadinho, acaba de realizar a Série Aleijadinho, fazendo uma releitura contemporânea sobre a obra do grande mestre do Barroco. Atualmente uma retrospectiva com 50 quadros, produzidos entre 1961 a 2006, percorre diversas cidades européias já expostas no Museu de arte contemporânea de Moscou, Frankfurt, Praga, Estocolmo, Bruxelas, Bruges, Basilea, Dusseldorf, Luxemburgo e Gotemburgo.

SERVIÇO:
EXPOSIÇÃO BRACHER – PINTURA E PERMANÊNCIA
Realização: Ministério da Cultura
Produção: Larissa Bracher Produções Artísticas
Patrocínio: USIMINAS
Copatrocínio: CBMM, BDMG e OUROCAP
Incentivo: Lei Federal de Incentivo à Cultura
De 29 de janeiro de 2014 a 02 de março de 2015

Quarta a segunda, de 9h às 21h
Classificação etária: livre
Entrada Franca

Pintura ao Vivo
11 de fevereiro às 19h
Classificação indicativa: livre.
Entrada franca.
Retirada de senha 01 hora antes do evento.

Centro Cultural Banco do Brasil
Rua Álvares Penteado, 112 - Centro, São Paulo
Próximo às estações Sé e São Bento do metrô.

O local apresenta acesso e facilidades para deficientes físicos // Ar-condicionado // Cafeteria Cafezal / Estacionamento conveniado: Estapar Estacionamentos - Rua da Consolação, 228 (Edifícios Zarvos) R$ 15,00 pelo período de 5 horas. Necessário validar o ticket na bilheteria do CCBB. Transporte gratuito até as proximidades do CCBB – embarque e desembarque na Rua da Consolação, 228 (Edifício Zarvos) e na Rua da Quitanda, próximo à entrada do CCBB.

Taxa de desemprego reverte tendência e inicia movimento de alta

A taxa de desemprego nas seis regiões metropolitanas acompanhadas pela PME/IBGE deve registrar fechamento de 4,5% no último mês (dezembro de 2014), segundo a projeção Catho-Fipe. Esse valor é 0,3 ponto percentual menor do que o registrado em novembro de 2014, mas é 0,1 ponto percentual maior do que o registrado no último mês de 2013. Esse número representa o segundo mês consecutivo com taxa maior do que a observada um ano antes.

A Fipe e a Catho apresentam também outros indicadores que reforçam o diagnóstico de desaquecimento do mercado de trabalho. Além do aumento esperado do desemprego em dezembro, chama a atenção o fato de que o saldo acumulado em 12 meses de novas vagas do Caged (MTE) está em nível mais baixo do que no auge da crise internacional de 2009 e teve em novembro sua 9ª queda consecutiva. 

Taxa de Desemprego Antecipada

Ao compilar e processar informações de currículos, anúncios de vagas e de contratações disponibilizados pela Catho, a Fipe calcula uma estimativa para a taxa de desemprego da Pesquisa Mensal de Emprego (PME/IBGE)*. A estimativa da Taxa de Desemprego Antecipada de dezembro de 2014 é de 4,5%, 0,2 ponto percentual maior em relação ao mesmo mês de 2013.

Este resultado, se for confirmado, representará um aumento da taxa de desemprego em relação ao ano anterior, diferentemente do que vinha ocorrendo até outubro. Apesar da queda na comparação mensal devida a questões sazonais, esse resultado pode indicar uma reversão da tendência de diminuição do desemprego que a série da PME vinha apresentando.

A estimativa da Taxa de Desemprego Antecipada feita por meio da técnica do “nowcasting” utiliza dados disponibilizados em “tempo real” para produzir informações e estatísticas precisas, sem a necessidade de esperar semanas ou meses até os institutos de pesquisa divulgarem os indicadores oficiais e defasados. No caso da Taxa de Desemprego, a Fipe cruza informações obtidas com buscas na Internet (por meio de palavras chave relacionadas a emprego, por exemplo) com informações de vagas, candidatos e contratações da Catho, além de outros dados econômicos e também a própria série da PME dos meses anteriores para estimar a taxa de desemprego. 

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Lava Jato fecha cerco a Sabesp e Metrô. Tucanos e imprensa se calam

Ministério Público abre três investigações para apurar suspeita de pagamento de propinas pelo doleiro Youssef em obras paulistas

por Helena Sthephanowitz publicado 14/01/2015 19:29

REPRODUÇÃO

Metrô: a quantia de R$ 7,9 milhões, também suspeita de referir-se a propina, está associada à obra da Vila Prudente


O Ministério Público de São Paulo abriu três investigações para apurar suspeita de pagamento de propinas pelo doleiro Alberto Youssef em obras paulistas. Duas miram contratos da empresa de saneamento Sabesp e do Metrô, estatais do governo paulista sob gestão do PSDB. Com Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin, os tucanos estão no poder há mais de 20 anos. Quando o primeiro tucano assumiu o estado, em 1995, já havia perto de 45 quilômetros de metrô. Desde então, meros 33 quilômetros foram acrescentados. Um ritmo de tartaruga. Mas em passos gigantes nas denuncias de corrupção.

A terceira envolve obras na Petrobras em unidades paulistas, já em investigação no âmbito federal. Obras da Sabesp e Metrô aparecem entre 747 contratos listados em uma planilha apreendida com Youssef em março pela Polícia Federal durante a Operação Lava Jato. A planilha registra as empreiteiras ligadas às obras, muitas nada tendo a ver com a Petrobras, ao lado de valores com indícios de suborno, segundo os promotores.

Existem R$ 28,8 milhões suspeitos de ser propina na Sabesp. Os valores aparecem ao lado de três obras, a estação de tratamento de Água Jurubatuba, no Guarujá, a adutora Guaraú-Jaguará, na Grande São Paulo, e tubulação da Sabesp, em Franca.

Na parte referente ao Metrô, a quantia de R$ 7,9 milhões, também suspeita de referir-se a propina, está associada à obra da Vila Prudente. Se as investigações confirmarem tratar-se de propinas, é mais um escândalo a somar-se aos subornos de Alstom e Siemens.

Outro doleiro pego na Operação Lava Jato, Raul Henrique Srour, conforme outra investigação internacional feita pela Procuradoria de Luxemburgo, movimentou dinheiro irregular da Siemens, também suspeito de tratar-se de intermediação de propinas, no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas, conforme já noticiamos aqui.

A análise da planilha de Youssef ainda não terminou e outras investigações podem ser abertas pelo Ministério Público paulista nos próximos dias, segundo o promotor de Justiça Otávio Ferreira Garcia.

A notícia, divulgada discretamente pelo jornal Folha de S. Paulo, chega em um mau momento político para o governador Geraldo Alckmin, às voltas com o racionamento de água em São Paulo. Como se não bastasse a falta de investimentos na ampliação e segurança do abastecimento – com a opção da Sabesp de distribuir mais lucros aos acionistas nos últimos anos, inclusive da Bolsa de Valores de Nova York –, a suspeita de que o dinheiro da tarifa d'água tenha ido para bolsos escusos no esquema Youssef não contribui para melhorar o humor do paulistano na hora em que abre a torneira e não sai água.

Esperamos que a imprensa amiga dos tucanos não abafe o caso e que venham as condenações na Justiça, com devolução dos lucros obtidos fora dos trilhos e aplicação rigorosa das penas estabelecidas em lei. O exemplo servirá para começar a demolir um grande obstáculo ao transporte de massa em São Paulo.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Kamel versus Nassif: a diferença de tratamento que a Justiça dá a casos semelhantes

Postado em 14 jan 2015 por : Paulo Nogueira


Falta de objetividade e de coerência nas decisões da Justiça

Da Justiça se espera ao menos uma coisa: que seja coerente nas decisões.


É a única forma que os cidadãos têm de medir eventuais consequências jurídicas de suas ações.

Estou falando isso a propósito da decisão da Justiça do Rio de condenar Luís Nassif a pagar 50 mil reais de indenização para Ali Kamel, diretor de jornalismo da TV Globo.

A juíza Larissa Pinheiro Schueler baseou sua decisão no fato de Nassif haver afirmado que Ali Kamel é “manipulador” e faz “jornalismo de hipóteses”. Isso, segundo ela, extrapolaria o “direito à informação”.

Aplique esta mesma lógica não apenas para Nassif, mas para a mídia em geral. Não faz muito tempo, no âmbito da mesma Globo de Kamel, os nordestinos foram chamados de “bovinos” por Diogo Mainardi.

Se “manipulador” custa 50 mil reais, qual seria a indenização para “bovinos”? Ou, já que falamos de Mainardi, de “anta”, como ele tratava rotineiramente Lula em seus dias de colunista da Veja?

A Justiça deveria, em tese, ser igual para todos, mas é mais igual para alguns do que para outros.

Há uma decisão jurídica recente que demonstra isso com brutal precisão.

O jornalista Augusto Nunes, o Brad Pitt de Taquaritinga, foi processado por Collor. Quer dizer: Collor fez o que Kamel fez.

Com uma diferença: perto do que Nunes disse dele, Nassif arremessou flores na direção de Kamel.


Um trecho: “… o agora senador Fernando Collor, destaque do PTB na bancada do cangaço, quer confiscar a lógica, expropriar os fatos, transformar a CPMI do Cachoeira em órgão de repressão à imprensa independente e, no fim do filme, tornar-se também o primeiro bandido a prender o xerife.”

O site Consultor Jurídico noticiou o caso assim:

“Na sentença, a juíza Andrea Ferraz Musa, da 2ª Vara Cível do Foro de Pinheiros, disse que, em um estado democrático, o jornalista tem o direito de exercer a crítica, ainda que de forma contundente.

(…) “Embora carregada e passional, não entendo que houve excesso nas expressões usadas pelo jornalista réu, considerando o contexto da matéria crítica jornalística. Assim, embora contenha certa carga demeritória, não transborda os limites constitucionais do direito de informação e crítica”, disse a juíza.

(…) No pedido de indenização, Collor alegou que foi absolvido de todas as acusações de corrupção pelo Supremo Tribunal Federal e que há anos vem sendo perseguido pela Abril.

A juíza, entretanto, considerou irrelevante a decisão do STF. “As ações políticas do homem público estão sempre passíveis de análise por parte da população e da imprensa. O julgamento do STF não proíbe a imprensa ou a população de ter sua opinião pessoal sobre assunto de relevância histórica nacional”, justificou.”

Um momento. Ou melhor: dois momentos. “Irrelevante” a decisão do STF? Então você é absolvido de acusações na mais alta corte do país e mesmo assim isso não vale nada? Podem continuar a chamar você de bandido sem nenhuma consequência?

A juíza aplicou uma espetacular bofetada moral no STF em sua sentença. Como para Augusto Nunes, também para ela não houve nenhuma consequência.

Se um juiz trata assim uma decisão da Suprema Corte, qual o grau de respeito que os cidadãos comuns devem ter pela Justiça?

O segundo momento é por conta da expressão “certa carga demeritória”. Raras vezes vi uma expressão tão ridícula para insultos e assassinato de imagem.

Regular a mídia é, também, estabelecer parâmetros objetivos para críticas e acusações feitas por jornalistas.

Não é possível que “manipulador” custe 50 mil reais e “bandido”, “chefe de bando”, “farsante” e “destaque da bancada do cangaço” zero.

Quando você tem sentenças tão opostas, é porque reinam o caos e a subjetividade.

A única coisa que une o desfecho dos dois casos é que jornalistas de grandes empresas de mídia se deram muito bem.

Isso é bom para eles e as empresas nas quais trabalham.

Para a sociedade, é uma lástima.


Sobre o Autor
O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Como nasce um loteamento

Entenda o passo a passo para a transformação de uma área inabitada em um bairro planejado

Uma área antes inexplorada e aparentemente vazia pode se transformar, ao longo dos anos, em um bairro planejado e até ganhar características de uma nova cidade. Foi o que ocorreu na região de Alphaville, em Barueri, que se tornou um núcleo urbano referência em planejamento urbanístico. Mas como podemos resumir este processo de desenvolvimento tão complexo, que envolve tantos profissionais e é responsável por mudar drasticamente paisagens? A maior certeza é de que esse processo não é fruto do acaso. 

Para que um novo loteamento Alphaville, por exemplo, seja desenvolvido é necessário, primeiramente, que exista a demanda por habitação naquele perfil no local – ou a possibilidade de se criar essa demanda. Neste contexto, entra em cena a equipe de prospecção de áreas e terrenos. Ela visita o local e verifica se ele é compatível com algumas das premissas da marca Alphaville, constantemente aperfeiçoadas pelos profissionais das áreas de produtos e projetos de engenharia. Uma vez viabilizado, surgem os primeiros esboços feitos por outras equipes altamente capacitadas em projetos urbanísticos, paisagísticos e de infraestrutura.

Os primeiros esboços levam em consideração, principalmente, as condições ambientais da área. Uma consultoria ambiental contratada pela empresa visita a região e elabora um mapa de restrições ambientais. Este é o primeiro documento oficial a embasar o projeto final. Em paralelo, é feito o levantamento topográfico do terreno que também será uma das bases para determinar a posição das vias de acesso, portarias, ruas, praças e áreas de preservação ambiental e de lazer, como o clube. A partir deste levantamento também será possível apontar com maior precisão a localização futura das estações de tratamento de água e esgoto.

“As ruas são projetadas levando em conta as declividades naturais do terreno a fim de facilitar a drenagem. No entanto, quase sempre é preciso a terraplenagem, que tornará o terreno compatível com o projeto a que ele se destina”, diz a gerente de Desenvolvimento Urbano da Alphaville Urbanismo, Maria do Rocio.

Todo esse trabalho é amparado pela equipe de negócios, responsável por gerenciar todos os profissionais envolvidos na construção do empreendimento, além de levar o projeto às aprovações em órgãos ambientais, regionais, municipais e cartórios. Desta maneira, obtém-se o Registro de Imóvel do novo empreendimento, além de outras licenças necessárias para a implantação.

A partir de então, as equipes de marketing e de vendas estão liberadas para organizar todas as ações para o lançamento do novo residencial. São feitas diversas atividades de relacionamento com os interessados nos lotes, assim como as ações de divulgação e publicidade do empreendimento. O departamento de marketing continua atuando após o lançamento, em conjunto com a equipe derelacionamento com o cliente, deixando os clientes a par do cronograma de obras e promovendo mais eventos para os futuros moradores.

O período de construção do empreendimento em si, que começa dentro de seis meses depois do lançamento de cada residencial, leva de 2 a 3 anos e emprega centenas de profissionais até a entrega para a Associação de Moradores. A partir disso, os clientes já podem iniciar a construção de suas respectivas residências, o que faz o número de postos de trabalho continuar elevado.

Ao mesmo tempo, os clientes já podem desfrutar das áreas de lazer. Dentro do período de 10 anos, já é possível verificar a transformação na região, agora planejadamente urbanizada e habitada.

Em Votorantim, cidade que pertence à Região Metropolitana de Sorocaba, a Alphaville Urbanismo está presente desde 2008, investindo R$ 187 milhões na construção de um complexo urbanístico que irá ocupar uma área de três milhões de metros quadrados e terá um total de 1.815 lotes residenciais. Denominado Alphaville Nova Esplanada, o complexo conta hoje com quatro residenciais lançados, sendo que três já foram totalmente entregues, sendo o terceiro deles entregue no final do ano passado.

Em dezembro de 2013, a urbanizadora lançou o quarto empreendimento da marca, cujos resultados surpreenderam positivamente os executivos de vendas da empresa. Além de diferenciais focados na qualidade de vida como lazer, segurança, conveniência, meio ambiente e autogestão, este último empreendimento recebeu projetos pilotos inovadores. Um exemplo é a parceria inédita feita com a Academia Runner para assessorar na montagem de uma academia “Designed by Runner” no clube do empreendimento, seguindo os padrões de equipamentos e decoração exigidos pelo mercado fitness. Além disso, placas fotovoltaicas foram instaladas sobre a portaria a fim de promover a conversão de energia solar em energia elétrica, garantindo o abastecimento de 50% de energia para áreas comuns como a portaria, o apoio e o Club House.

Sobre a Alphaville Urbanismo

Com 40 anos de atuação, a Alphaville leva a todo o Brasil uma proposta exclusiva de planejamento urbano, por meio do desenvolvimento de empreendimentos horizontais que conciliam preservação ambiental, infraestrutura altamente qualificada e o comprometimento com a sociedade. A Alphaville possui 108 empreendimentos já lançados em 21 estados do Brasil e Distrito Federal, que representam mais de 74 milhões de metros quadrados urbanizados.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Frutas e a dieta das cores: Seus benefícios e funções

Coordenadora do curso de Nutrição da Universidade Cruzeiro do Sul lista cinco cores de variedades de frutas, de acordo com a relação nutricional


São Paulo, janeiro de 2015 – O inicio de ano é marcado como a fase de renovação de estilo de vida de muitos, inclusive na alimentação. De acordo com estudos do curso de Nutrição da Universidade Cruzeiro do Sul, a ingestão de variedade de frutas permite ter acesso a diversos benefícios nutricionais, conforme as cores das polpas ou cascas.

“A cor dos alimentos é como uma bússola para direcionar os ingredientes com boas doses de proteínas, carboidratos, fibras, vitaminas e minerais”, explica a coordenadora do curso de Nutrição da instituição, Ligia Lopes. Outra vantagem que pode ser aproveitada é o poder de saciedade que uma dieta colorida pode oferecer, ajudando a controlar os excessos. “Variedade é a palavra chave, pois assim conseguimos uma maior oferta de nutrientes quando variamos ao máximo as cores e sabores”, finaliza Ligia.

A lista de cinco cores com variedades de frutas com suas funções e benefícios, por meio das cores, selecionada pela professora, pode ser conferida abaixo: 

1) Frutas brancas: banana, atemoia, fruta do conde, melão

Contém flavonoides que ajudam a reduzir colesterol, diminuir a pressão arterial e combater os efeitos das infecções;

Auxiliam na produção de energia, no funcionamento do sistema nervoso e inibem coágulos na circulação.

2) Frutas vermelhas: morango, amora, tomate, melancia, cereja.

Os carotenóides atuam como pró-vitamina A e antioxidante. Benéfico para o coração, memória, previnem câncer, stress e fortalece os olhos e pele. O licopeno presente no tomate ajuda a prevenção de câncer de próstata e mama.

3) Frutas laranjas e amarelas: melão amarelo, mamão, manga, pêssego

Contém carotenóides e bioflavonóides, ricos em vitamina C e importantes antioxidantes. Benéficos para a saúde do coração, visão e sistema imunológico. Contribuem para melhorar a retenção hídrica, reduzir a pressão arterial e a circulação em geral.

4) Frutas verdes: kiwi, maçã verde, uva verde

Contém beta-caroteno, luteína, folato, vitaminas C e E, ferro, potássio e cálcio. Promovem o crescimento e ajudam na coagulação do sangue, evitam fadiga mental, auxiliam na produção de glóbulos vermelhos do sangue. Possuem ação cicatrizante e antibacteriana

5) Frutas roxas: figo, uva, jabuticaba, ameixa

Contém antocianina - um flavonóide que ajuda na prevenção de doenças cardíacas e hepáticas, retardam o envelhecimento e preservam a memória.

Sebrae-SP orienta empresários sobre mudanças na nota fiscal

Não informar valor de tributos renderá multa a partir de 2015; Sebrae-SP oferece calculadora para cálculo de impostos

A partir de janeiro de 2015, não informar o valor dos tributos ao consumidor no ato da venda renderá multa aos estabelecimentos comerciais em todo o Brasil. É a chamada Lei da Nota (nº 12.741/12). Para que micro e pequenos empresários se adequem a nova legislação, o Sebrae-SP disponibiliza ferramenta de cálculo de tributos totalmente grátis, além de consultoria em todos os seus Escritórios Regionais no estado de São Paulo. 

Criada para assegurar transparência e que o consumidor tenha acesso a carga de tributos embutida no preço de cada produto no momento da compra, a Lei da Nota passa a aplicar sanções depois de mais de dois anos de prazo de adequação. A publicidade deverá ser feita na nota ou em cartaz fixado no interior da loja. O valor das penalidades varia conforme tamanho do estabelecimento e a fiscalização será feita pelo Procon-SP.

Para facilitar a vida do empreendedor, o Sebrae-SP disponibiliza uma calculadora de impostos no http://sebr.ae/SP/imposto-nota. Com ela é possível imprimir material já nos padrões exigidos por lei.

“É muito importante que os empresários atendam às exigências. Afinal, multa comprometem o caixa da empresa. O Sebrae-SP é parceiro dos micro e pequenos empresários e está de portas abertas para ajudar nesse momento de transição”, explicou Bruno Caetano, diretor-superintendente da instituição.

Os empresários podem também ir a qualquer um dos escritórios do Sebrae-SP, bem como retirar material explicativo e modelos atendam a Lei do Imposto da Nota. Uma equipe de consultores especializados estará disponível para a realização de atendimentos e consultorias, além de palestras sobre o tema.

As dúvidas podem ser solucionadas pelo telefone 0800-570-0800.

As novas regras

De acordo com a Lei da Nota, todo estabelecimento que efetuar vendas diretamente ao consumidor final está obrigado a incluir na nota fiscal, ou em painel visível ao público, todos os impostos pagos pela compra do produto. A publicidade dos tributos deverá discriminar tarifas federais, estaduais e municipais e feita individualmente para cada item vendido. A partir de janeiro de 2015 o não cumprimento da norma acarretará em multa, que varia de acordo com o faturamento do negócio.

O texto da Lei da Nota (nº 12.741/12), foi aprovado em 8 de dezembro de 2012. Porém, ao verificar a baixa adesão facultativa, o Ministério Público (nº 649/14), em 3 de outubro de 2014, decidiu que a lei passaria a vigorar de forma punitiva. O Procon-SP, responsável pela fiscalização, irá aplicar multas a partir de janeiro de 2015.

83,5% dos profissionais brasileiros aceitariam mudar de estado por trabalho

Dados da nova Pesquisa dos Profissionais Brasileiros da Catho mostram que 83,5% dos profissionais brasileiros aceitariam mudar para um outro estado do país em decorrência de uma proposta de trabalho. Desses, 41,6% aceitaria mediante promoção, 36,9% se representasse uma boa oportunidade de desenvolvimento, mesmo que sem a promessa de uma promoção e 5% aceitaria mesmo sem nenhum outro benefício associado.

Dos respondentes, 16,6% não aceitaria uma mudança de estado sob nenhuma condição. Esse número aumentou consideravelmente no último ano, já que na pesquisa de 2013 o número era de apenas 10,5%.




Já quando o assunto é a mudança de país, os números são um pouco diferentes. 76% dos profissionais brasileiros aceitariam morar no exterior por uma proposta profissional. Sendo que 34,2% aceitaria se representasse uma boa oportunidade de desenvolvimento, mesmo que sem a promessa de uma promoção, 33,2% aceitaria mediante promoção e 8,5% aceitaria mesmo sem nenhum outro benefício associado.

24% dos entrevistados não aceitaria mudar de país sob nenhuma condição. Olhando a série histórica, a tendência de diminuição na intenção de mudança se mantêm, já que em 2013 17,8% não moraria no exterior por questões profissionais.




Pesquisa Catho

A Pesquisa dos Profissionais Brasileiros - Um Panorama sobre a Contratação, Demissão e Carreira dos Profissionais é uma publicação da Catho, site de empregos líder no Brasil, desde 1988. Originalmente lançada a cada dois anos, passou a ser anual em 2013.

O levantamento de 2014 contou com 26.459 respondentes de todo o Brasil. Do total de respondentes, 65% estão empregados; sendo que 35,9% são de grandes empresas (com mais de 500 funcionários). A pesquisa foi feita no período de 16 a 31 de março de 2014.

82% dos brasileiros acreditam que os atentados na França podem estimular preconceito contra algumas comunidades religiosas

Mesmo com a mobilização de diversos países, o atentado não intimida os planos de viagem dos brasileiros para a França e outros países da Europa nos próximos três meses. 


São Paulo, 12 de janeiro de 2015 - O PiniOn, plataforma que combina tecnologia mobile e crowdsourcing e capta a opinião a respeito de marcas e temas diversos, realizou uma pesquisa com 1829 brasileiros sobre o atentado ao jornal Charlie Hebdo, em Paris, que começou na quarta-feira (7). Para a maior parte dos entrevistados (70%) as motivações religiosas são os principais motivos para o atentado. Enquanto 22% acredita que sejam devido a motivações políticas e 8% outras motivações. Além disso, 82% acredita que foi um ato organizado por um grupo específico (Estados Islâmicos -49% - e Al-Qaeda -35%) e não um ato isolado, em que teve apenas 18% das respostas.

Quando perguntados sobre as consequências de um ato como este, 82% acreditam na geração de algum efeito negativo nas relações entre a França e os países do mundo árabe, e para o mesmo percentual, este acontecimento pode estimular o preconceito contra determinadas comunidades religiosas.

Grande parte dos respondentes (72%) não conhecia o jornal Charlie Hebdo e seu conteúdo satírico antes da morte de seus editores e cartunistas. Apesar da alta familiaridade com o acontecimento, 91% não repercutiu o fato nas redes sociais e apenas 8% participaram de alguma manifestação em solidariedade às vítimas.

A maioria dos entrevistados sabia dos atentados (91%), sendo que 62% se informaram pela televisão, 39% através de sites/portais e 23% através de redes sociais. 9% souberam do atentado através de conversas com parentes e amigos. Meios mais tradicionais como jornal impresso e rádio foram responsáveis por informar apenas 6% e 5% dos respondentes, respectivamente.

Menos da metade dos respondentes (43%) teme que um atentado assim aconteça do Brasil e mesmo com a grande repercussão internacional e mobilização de diversos países, o acontecimento não tem impacto suficiente para interferir nos planos de viagem, sendo que 64% declaram que viajariam para a França e 76% para outros países europeus nos próximos três meses.

Para 84% dos respondentes, um acontecimento como este fere a liberdade de expressão da imprensa internacional, porém as opiniões são divididas em relação à atitude da imprensa a partir de agora. 50% acreditam que este atentado pode provocar uma mudança na forma como a imprensa se comporta de uma maneira geral. 

domingo, 11 de janeiro de 2015

Eu também não sou Charlie


Há muita confusão acerca do atentado terrorista em Paris, matando vários cartunistas. Quase só se ouve um lado e não se buscam as raízes mais profundas deste fato condenável mas que exige uma interpretação que englobe seus vários aspectos ocultados pela midia internacional e pela comoção legítima face a um ato criminoso. Mas ele é uma resposta a algo que ofendia milhares de fiéis muçulmanos. Evidentemente não se responde com o assassianto. Mas também não se devem criar as condições psicológicas e políticas que levem a alguns radicais a lançarem mão de meios reprováveis sobre todos os aspectos. Publico aqui um texto de um padre que é teóloogo e historiador e conhece bem a situação da França atual. Ele nos fornece dados que muitos talvez não os conheçam. Suas reflexões nos ajudam a ver a complexidade deste anti-fenômeno com suas aplicações também à situação no Brasil: Lboff

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Eu condeno os atentados em Paris, condeno todos os atentados e toda a violência, apesar de muitas vezes xingar e esbravejar no meio de discussões, sou da paz e me esforço para ter auto controle sobre minhas emoções…

Lembro da frase de John Donne: “A morte de cada homem diminui-me, pois faço parte da humanidade; eis porque nunca me pergunto por quem dobram os sinos: é por mim”. Não acho que nenhum dos cartunistas “mereceu” levar um tiro, ninguém o merece, acredito na mudança, na evolução, na conversão. Em momento nenhum, eu quis que os cartunistas da Charlie Hebdo morressem. Mas eu queria que eles evoluíssem, que mudassem… Ainda estou constrangido pelos atentados à verdade, à boa imprensa, à honestidade, que a revista Veja, a Globo e outros veículos da imprensa brasileira promoveram nesta última eleição.

A Charlie Hebdo é uma revista importante na França, fundada em 1970, é mais ou menos o que foi o Pasquim. Isso lá na França. 90% do mundo (eu inclusive) só foi conhecer a Charlie Hebdo em 2006, e já de uma forma bastante negativa: a revista republicou as charges do jornal dinamarquês Jyllands-Posten (identificado como “Liberal-Conservador”, ou seja, a direita europeia). E porque fez isso? Oficialmente, em nome da “Liberdade de Expressão”, mas tem mais…

O editor da revista na época era Philippe Val. O mesmo que escreveu um texto em 2000 chamando os palestinos (sim! O povo todo) de “não-civilizados” (o que gerou críticas da colega de revista Mona Chollet (críticas que foram resolvidas com a demissão sumaria dela). Ele ficou no comando até 2009, quando foi substituído por Stéphane Charbonnier, conhecido só como Charb. Foi sob o comando dele que a revista intensificou suas charges relacionadas ao Islã, ainda mais após o atentado que a revista sofreu em 2011…

A França tem 6,2 milhões de muçulmanos. São, na maioria, imigrantes das ex-colônias francesas. Esses muçulmanos não estão inseridos igualmente na sociedade francesa. A grande maioria é pobre, legada à condição de “cidadão de segunda classe”, vítimas de preconceitos e exclusões. Após os atentados do World Trade Center, a situação piorou.

Alguns chamam os cartunistas mortos de “heróis” ou de os “gigantes do humor politicamente incorreto”, outros muitos os chamam de “mártires da liberdade de expressão”. Vou colocar na conta do momento, da emoção. As charges polêmicas do Charlie Hebdo, como os comentários políticos de colunistas da Veja, são de péssimo gosto, mas isso não está em questão. O fato é que elas são perigosas, criminosas até, por dois motivos.

O primeiro é a intolerância. Na religião muçulmana, há um princípio que diz que o Profeta Maomé não pode ser retratado, de forma alguma. Esse é um preceito central da crença Islâmica, e desrespeitar isso desrespeita todos os muçulmanos. Fazendo um paralelo, é como se um pastor evangélico chutasse a imagem de Nossa Senhora para atacar os católicos…

Qual é o objetivo disso? O próprio Charb falou: “É preciso que o Islã esteja tão banalizado quanto o catolicismo”. “É preciso” porque? Para que?

Note que ele não está falando em atacar alguns indivíduos radicais, alguns pontos específicos da doutrina islâmica, ou o fanatismo religioso. O alvo é o Islã, por si só. Há décadas os culturalistas já falavam da tentativa de impor os valores ocidentais ao mundo todo. Atacar a cultura alheia sempre é um ato imperialista. Na época das primeiras publicações, diversas associações islâmicas se sentiram ofendidas e decidiram processar a revista. Os tribunais franceses, famosos há mais de um século pela xenofobia e intolerância (ver Caso Dreyfus), como o STF no Brasil, que foi parcial nas decisões nas últimas eleições e no julgar com dois pessoas e duas medidas caos de corrupção de políticos do PSDB ou do PT, deram ganho de causa para a revista.

Foi como um incentivo. E a Charlie Hebdo abraçou esse incentivo e intensificou as charges e textos contra o Islã e contra o cristianismo, se tem dúvidas, procure no Google e veja as publicações que eles fazem, não tenho coragem de publicá-las aqui…

Mas existe outro problema, ainda mais grave. A maneira como o jornal retratava os muçulmanos era sempre ofensiva. Os adeptos do Islã sempre estavam caracterizados por suas roupas típicas, e sempre portando armas ou fazendo alusões à violência, com trocadilhos infames com “matar” e “explodir”…). Alguns argumentam que o alvo era somente “os indivíduos radicais”, mas a partir do momento que somente esses indivíduos são mostrados, cria-se uma generalização. Nem sempre existe um signo claro que indique que aquele muçulmano é um desviante, já que na maioria dos casos é só o desviante que aparece. É como se fizéssemos no Brasil uma charge de um negro assaltante e disséssemos que ela não critica/estereotipa os negros, somente aqueles negros que assaltam…

E aí colocamos esse tipo de mensagem na sociedade francesa, com seus 10% de muçulmanos já marginalizados. O poeta satírico francês Jean de Santeul cunhou a frase: “Castigat ridendo mores” (costumes são corrigidos rindo-se deles). A piada tem esse poder. Mas piada são sempre preconceituosas, ela transmite e alimenta o preconceito. Se ela sempre retrata o árabe como terrorista, as pessoas começam a acreditar que todo árabe é terrorista. Se esse árabe terrorista dos quadrinhos se veste exatamente da mesma forma que seu vizinho muçulmano, a relação de identificação-projeção é criada mesmo que inconscientemente. Os quadrinhos, capas e textos da Charlie Hebdo promoviam a Islamofobia. Como toda população marginalizada, os muçulmanos franceses são alvo de ataques de grupos de extrema-direita. Esses ataques matam pessoas. Falar que “Com uma caneta eu não degolo ninguém”, como disse Charb, é hipócrita. Com uma caneta se prega o ódio que mata pessoas…

Uma das defesas comuns ao estilo do Charlie Hebdo é dizer que eles também criticavam católicos e judeus…
Se as outras religiões não reagiram a ofensa, isso é um problema delas. Ninguém é obrigado a ser ofendido calado.
“Mas isso é motivo para matarem os caras!?”. Não. Claro que não. Ninguém em sã consciência apoia os atentados. Os três atiradores representam o que há de pior na humanidade: gente incapaz de dialogar. Mas é fato que o atentado poderia ter sido evitado. Bastava que a justiça tivesse punido a Charlie Hebdo no primeiro excesso, assim como deveria/deve punir a Veja por suas mentiras. Traçasse uma linha dizendo: “Desse ponto vocês não devem passar”.

“Mas isso é censura”, alguém argumentará. E eu direi, sim, é censura. Um dos significados da palavra “Censura” é repreender. A censura já existe. Quando se decide que você não pode sair simplesmente inventando histórias caluniosas sobre outra pessoa, isso é censura. Quando se diz que determinados discursos fomentam o ódio e por isso devem ser evitados, como o racismo ou a homofobia, isso é censura. Ou mesmo situações mais banais: quando dizem que você não pode usar determinado personagem porque ele é propriedade de outra pessoa, isso também é censura. Nem toda censura é ruim…

Deixo claro que não estou defendendo a censura prévia, sempre burra. Não estou dizendo que deveria ter uma lista de palavras/situações que deveriam ser banidas do humor. Estou dizendo que cada caso deveria ser julgado. Excessos devem ser punidos. Não é “Não fale”. É “Fale, mas aguente as consequências”. E é melhor que as consequências venham na forma de processos judiciais do que de balas de fuzis ou bombas.

Voltando à França, hoje temos um país de luto. Porém, alguns urubus são mais espertos do que outros, e já começamos a ver no que o atentado vai dar. Em discurso, Marine Le Pen declarou: “a nação foi atacada, a nossa cultura, o nosso modo de vida. Foi a eles que a guerra foi declarada”. Essa fala mostra exatamente as raízes da islamofobia. Para os setores nacionalistas franceses (de direita, centro ou esquerda), é inadmissível que 10% da população do país não tenha interesse em seguir “o modo de vida francês”. Essa colônia, que não se mistura, que não abandona sua identidade, é extremamente incômoda. Contra isso, todo tipo de medida é tomada. Desde leis que proíbem imigrantes de expressar sua religião até… charges ridicularizando o estilo de vida dos muçulmanos! Muitos chargistas do mundo todo desenharam armas feitas com canetas para homenagear as vítimas. De longe, a homenagem parece válida. Quando chegam as notícias de que locais de culto islâmico na França foram atacados, um deles com granadas!, nessa madrugada, a coisa perde um pouco a beleza. É a resposta ao discurso de Le Pen, que pedia para a França declarar “guerra ao fundamentalismo” (mas que nos ouvidos dos xenófobos ecoa como “guerra aos muçulmanos”, e ela sabe disso).

Por isso tudo, apesar de lamentar e repudiar o ato bárbaro do atentado, eu não sou Charlie. Je ne suis pas Charlie.

sábado, 10 de janeiro de 2015

NUNCA SE ROUBOU TÃO POUCO

Ricardo Semler

Não sendo petista, e sim tucano, sinto-me à vontade para constatar que essa onda de prisões de executivos é um passo histórico para este país

Nossa empresa deixou de vender equipamentos para a Petrobras nos anos 70. Era impossível vender diretamente sem propina. Tentamos de novo nos anos 80, 90 e até recentemente. Em 40 anos de persistentes tentativas, nada feito.

Não há no mundo dos negócios quem não saiba disso. Nem qualquer um dos 86 mil honrados funcionários que nada ganham com a bandalheira da cúpula.

Os porcentuais caíram, foi só isso que mudou. Até em Paris sabia-se dos “cochons des dix pour cent”, os porquinhos que cobravam 10% por fora sobre a totalidade de importação de barris de petróleo em décadas passadas.

Agora tem gente fazendo passeata pela volta dos militares ao poder e uma elite escandalizada com os desvios na Petrobras. Santa hipocrisia. Onde estavam os envergonhados do país nas décadas em que houve evasão de R$ 1 trilhão –cem vezes mais do que o caso Petrobras– pelos empresários?

Virou moda fugir disso tudo para Miami, mas é justamente a turma de Miami que compra lá com dinheiro sonegado daqui. Que fingimento é esse?

Vejo as pessoas vociferarem contra os nordestinos que garantiram a vitória da presidente Dilma Rousseff. Garantir renda para quem sempre foi preterido no desenvolvimento deveria ser motivo de princípio e de orgulho para um bom brasileiro. Tanto faz o partido.

Não sendo petista, e sim tucano, com ficha orgulhosamente assinada por Franco Montoro, Mário Covas, José Serra e FHC, sinto-me à vontade para constatar que essa onda de prisões de executivos é um passo histórico para este país.

É ingênuo quem acha que poderia ter acontecido com qualquer presidente. Com bandalheiras vastamente maiores, nunca a Polícia Federal teria tido autonomia para prender corruptos cujos tentáculos levam ao próprio governo.

Votei pelo fim de um longo ciclo do PT, porque Dilma e o partido dela enfiaram os pés pelas mãos em termos de postura, aceite do sistema corrupto e políticas econômicas.

Mas Dilma agora lidera a todos nós, e preside o país num momento de muito orgulho e esperança. Deixemos de ser hipócritas e reconheçamos que estamos a andar à frente, e velozmente, neste quesito.

A coisa não para na Petrobras. Há dezenas de outras estatais com esqueletos parecidos no armário. É raro ganhar uma concessão ou construir uma estrada sem os tentáculos sórdidos das empresas bandidas.

O que muitos não sabem é que é igualmente difícil vender para muitas montadoras e incontáveis multinacionais sem antes dar propina para o diretor de compras.

É lógico que a defesa desses executivos presos vão entrar novamente com habeas corpus, vários deles serão soltos, mas o susto e o passo à frente está dado. Daqui não se volta atrás como país.

A turma global que monitora a corrupção estima que 0,8% do PIB brasileiro é roubado. Esse número já foi de 3,1%, e estimam ter sido na casa de 5% há poucas décadas. O roubo está caindo, mas como a represa da Cantareira, em São Paulo, está a desnudar o volume barrento.

Boa parte sempre foi gasta com os partidos que se alugam por dinheiro vivo, e votos que são comprados no Congresso há décadas. E são os grandes partidos que os brasileiros reconduzem desde sempre.

Cada um de nós tem um dedão na lama. Afinal, quem de nós não aceitou um pagamento sem recibo para médico, deu uma cervejinha para um guarda ou passou escritura de casa por um valor menor?

Deixemos de cinismo. O antídoto contra esse veneno sistêmico é homeopático. Deixemos instalar o processo de cura, que é do país, e não de um partido.

O lodo desse veneno pode ser diluído, sim, com muita determinação e serenidade, e sem arroubos de vergonha ou repugnância cínicas. Não sejamos o volume morto, não permitamos que o barro triunfe novamente. Ninguém precisa ser alertado, cada de nós sabe o que precisa fazer em vez de resmungar.

RICARDO SEMLER - 55, empresário, é sócio da Semco Partners. Foi professor visitante da Harvard Law School e professor de MBA no MIT - Instituto de Tecnologia de Massachusetts (EUA).

Sua empresa está pronta para a Lei da Nota?

Bruno Caetano

A chamada Lei da Nota (nº 12.741/12), que determina que estabelecimentos comerciais informem aos clientes os impostos embutidos nos preços dos produtos e serviços, vai ficar mais rigorosa. A partir de janeiro, quem descumprir a obrigação estará sujeito à multa definida conforme o faturamento da empresa. A fiscalização será feita pelo Procon.

As punições começarão a ser aplicadas após um período de adaptação, já que a lei foi aprovada em dezembro de 2012, mas sem aplicação de penalidade.

Os impostos federais, estaduais e municipais cobrados deverão ser divulgados na nota fiscal ou em cartaz colocado em lugar visível na loja. A ideia é tornar mais transparente para o consumidor quanto ele gasta com tributos. Deverão ser informados valores aproximados ou porcentuais. As micro e pequenas empresas enquadradas no Simples Nacional podem ficar com a segunda opção.

O dono de um pequeno negócio deve desde já se preparar para cumprir a obrigação. Começar o ano correndo o risco de ser multado e ter um gasto desnecessário é uma perspectiva nada agradável. Para o Microempreendedor Individual (MEI) o procedimento é facultativo.

Se o empresário fizer uso de sistemas informatizados para a emitir nota fiscal terá de atualizar o programa. Se der nota de outra forma, deverá checar as alíquotas dos itens que vende e colocar uma tabela ao alcance dos olhares dos clientes. 

Para um negócio que trabalha com um conjunto numeroso e diversificado de produtos (uma loja de conveniência, um minimercado, por exemplo), é melhor divulgar os impostos na própria nota. Já para o comércio que oferece poucos itens, um produto ou serviço apenas, é mais fácil usar um cartaz ou painel.

A lei não exige que conste na nota os tributos incidentes sobre cada produto, mas sim sobre o total da operação. Se em uma nota há cinco mercadorias diferentes registradas, lança-se o valor estimado para o conjunto delas.

As regras estão postas. Organize-se para ajustar seu negócio a elas e entre em 2015 sem essa preocupação. Em caso de dúvida, o Sebrae-SP tem à disposição uma calculadora de impostos que permite imprimir material dentro das exigências da lei. Procure-nos.

Bruno Caetano é diretor superintendente do Sebrae-SP