terça-feira, 22 de dezembro de 2015

O real motivo da perseguição a Dirceu


A vida é complicada para quem desafia a plutocracia

Originalmente publicado em março. Republicado agora por motivos óbvios.

Um jornalista americano escreveu uma coisa que me marcou profundamente.

Ele disse que num certo momento da carreira ele era convidado para programas de tevê, recebia convites seguidos para dar palestras e estava sempre no foco dos holofotes.

Num certo momento ele se deu conta de que tudo isso ocorria porque ele jamais escrevera algo que afrontasse os interesses dos realmente poderosos.

Foi quando ele acordou. Entendeu, por exemplo, as reflexões de Chomsky sobre as grandes empresas jornalísticas.

Para encurtar a história, ele decidiu então fazer jornalismo de verdade. Acabou assassinado.

Assange, Snowden, Falciani: não é fácil a vida de quem enfrenta o poder.

Tudo isso me ocorreu a propósito de José Dirceu. Tivesse ele defendido, ao longo da vida a plutocracia, ninguém o incomodaria.

Mas ele escolheu o outro lado.

E por isso é alvo de uma perseguição selvagem. É como se o poder estivesse dizendo para todo mundo: “Olhem o que acontece com quem ousa nos desafiar.”

É à luz de tudo isso que aparece uma nova rodada de agressões a Dirceu, partida – sempre ela – da Veja.

Quis entender.

Os dados expostos mostram, essencialmente, uma coisa: Dirceu não pode trabalhar. Não pode fazer nada.

O que é praxe em altos funcionários de uma administração fazerem ao deixá-la?

Virar consultor.

Não é só nos governos. Nas empresas também. Fabio Barbosa fatalmente virará consultor depois de ser demitido, dias atrás, da Abril.

Foi o que fez, também, David Zylbersztajn, o genro que FHC colocou na Agência Nacional do Petróleo. (Não, naturalmente, por nepotismo, mas por mérito, ainda que o mérito, e com ele o emprego, pareça ter acabado junto com o casamento com a filha de FHC.)

Zylbersztajn é, hoje, consultor na área de petróleo. Seus clientes são, essencialmente, empresas estrangeiras interessadas em fazer negócios no Brasil no campo da energia.

Algum problema? Não.

Quer dizer: não para Zylbersztajn. Mas para Dirceu a mesma posição de consultor é tratada como escândalo.

Zylbersztajn ajuda empresas estrangeiras a virem para o Brasil. Dirceu ajuda empresas brasileiras a fazerem negócios fora do Brasil, com as relações construídas em sua longa jornada.

O delator que o citou diz que Dirceu é muito bom para “abrir portas”. É o que se espera mesmo de um consultor como Dirceu.

Zylbersztajn, caso seja competente, saberá também “abrir portas”.

Vamos supor que a Globo, algum dia, queira entrar na China. Ela terá que contratar alguém que “abra portas”.

Abrir portas significa, simplesmente, colocar você em contato com pessoas que decidem. Conseguir fechar negócios com ela é problema seu, e não de quem abriu as portas.

Na manchete do site da Veja, está dito que o “mensaleiro” – a revista não economiza uma oportunidade de ser canalha – faturou 29 milhões entre 2006 e 2013.

São oito anos. Isso significa menos de 4 milhões por ano. Do jeito que a coisa é apresentada, parece que Dirceu meteu a mão em 29 milhões. Líquidos.

Não.

Sua empresa faturou isso. Não é pouco, mas está longe de ser muito num universo de grandes empresas interessadas em ganhar o mundo.

Quanto terá faturado a consultoria de Zylbersztajn entre 2006 e 2013? Seria uma boa comparação.

No meio das acusações, aparece, incriminadora, a palavra “lobby”. É um estratagema para explorar a boa fé do leitor ingênuo e louco por razões para detestar Dirceu.

Poucas coisas são mais banais, no mundo dos negócios, que o lobby.

Peguemos a Abril, por exemplo, que edita a Veja. Uma entidade chamada ANER faz lobby para a Abril e outras editoras de revistas. A ANER da Globo se chama ABERT.

Você pode ter uma ideia de quanto as empresas de jornalismo são competentes no lobby pelo fato de que ainda hoje elas gozam de reserva de mercado – uma mamata que desapareceu virtualmente de todos os outros setores da economia brasileira.

E assim, manobrando e manipulando informações, a mídia mais uma vez agride Dirceu.

As alegações sempre variam, mas o real motivo é que ele decidiu, desde jovem, não lamber as botas da plutocracia.


Sobre o Autor: O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Dicas de verão

Para marcar o inicio do verão, 21 de Dezembro, a Sociedade Brasileira de Dermatologia dá dicas de como cuidar da pele e lança site para prevenir e informar sobre o Câncer da Pele 

Na página é possível calcular o risco de adquirir a doença e trocar a foto de perfil do Facebook para aderir ao #dezembrolaranja

A exposição ao sol de forma inadequada pode trazer inúmeros prejuízos à saúde, além de ser responsável pelo câncer de maior incidência no Brasil e no mundo, o câncer da pele. Mas este não é o único problema, existem outras doenças típicas da estação que merecem atenção. Por exemplo, o ambiente de praia é propício ao desenvolvimento de micro-organismos, como fungos e bactérias, o que ocasiona infecções na pele. Fezes de cães e gatos nas areias da praia, podem causar o chamado “bicho geográfico”. Já quem costuma passar o dia inteiro com o biquíni ou a sunga deve ter cuidado, pois as roupas úmidas podem desenvolver micoses, em especial nas áreas íntimas, por isso é essencial trocar as peças molhadas por outras secas.

De qualquer forma, é importante ter a consciência que o filtro solar não é, de forma nenhuma, um passaporte para a exposição indiscriminada ao sol. Ou seja, não é porque você passou um bom filtro solar que você pode ficar exposta ao sol horas após horas e que isso não causará danos a sua saúde. O cuidado com a exposição deve ser permanente, principalmente, se a pessoa tiver uma pele mais clara.
Usar chapéus, camisetas e protetores solares.
Evitar a exposição solar e permanecer na sombra entre 10 e 16h (horário de verão).
Na praia ou na piscina, usar barracas feitas de algodão ou lona, que absorvem 50% da radiação ultravioleta. As barracas de nylon formam uma barreira pouco confiável: 95% dos raios UV ultrapassam o material.
Usar filtros solares diariamente, e não somente em horários de lazer ou diversão. Utilizar um produto que proteja contra radiação UVA e UVB e tenha um fator de proteção solar (FPS) 30, no mínimo. Reaplicar o produto a cada duas horas ou menos, nas atividades de lazer ao ar livre. Ao utilizar o produto no dia-a-dia, aplicar uma boa quantidade pela manhã e reaplicar antes de sair para o almoço.
Observar regularmente a própria pele, à procura de pintas ou manchas suspeitas.
Consultar um dermatologista uma vez ao ano, no mínimo, para um exame completo.
Manter bebês e crianças protegidos do sol. Filtros solares podem ser usados a partir dos seis meses.

Como parte da Campanha #dezembrolaranja, de Prevenção ao Câncer da Pele, a Sociedade Brasileira de Dermatologia lançou o site Controle o Sol (www.controleosol.com.br). Na página, além de aderir ao movimento mudando a foto de perfil do Facebook para uma com filtro laranja, é possível, preencher um teste (http://www.controleosol.com.br/calculadora/) e verificar se tem grande ou pouca incidência de contrair a doença. 

A Sociedade Brasileira de Dermatologia afirma que a maioria dos casos de câncer da pele podem ser evitados com medidas simples de fotoproteção: usar filtro solar, chapéu, óculos, cuidar do excesso de exposição ao sol e ficar atento aos horários certos para isso.

Dados do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA) estimam que, em 2016, haverá cerca de 175 mil novos casos de câncer da pele não melanoma no Brasil. Os principais tipos que ocorrerão no País serão, por ordem de incidência, os de pele não melanoma (para ambos os sexos), o de próstata e o de mama. Entre os homens, são esperados 295.200 novos casos de câncer, e entre as mulheres, 300.870. Excluindo-se o câncer de pele não melanoma (175.760 casos previstos, que correspondem a 29% do total estimado), esses números caem, respectivamente para 214.350 e 205.9960.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) prevê que, no ano 2030, existirá 27 milhões de casos novos de câncer, 17 milhões de mortes pela doença e 75 milhões de pessoas vivendo com câncer. O maior efeito desse aumento incidirá em países em desenvolvimento. No Brasil, o câncer já é a segunda causa de morte por doenças, atrás apenas das do aparelho circulatório.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

CASAIS QUE TRABALHAM JUNTOS CONSEGUEM TER RELACIONAMENTO MAIS AGRADÁVEL

Juntos no casamento e na vida empresarial, os casais que trabalham juntos encontram desafios por passarem muito tempo na companhia um do outro, mas também aproveitam o lado bom do companheirismo e compreensão do cônjuge. Segundo estudo realizado pelo International Stress Management do Brasil (Isma-BR), o relacionamento de casais que trabalham em uma mesma empresa é mais agradável, porque ambos compreendem melhor o trabalho, a carga horária e o stress do outro. Após conversar com 608 casais de Porto Alegre (RS) e São Paulo (SP), a organização, especializada na pesquisa e tratamento do estresse, mostrou que 80% dos casais entrevistados que trabalham juntos sentem menor desgaste emocional, e somente 37% dos parceiros que trabalham em organizações diferentes têm a mesma estabilidade na relação.

Manter a harmonia e o equilíbrio em uma relação como a de casais que dividem o ambiente profissional requer jogo de cintura e paciência. Empresários, sócios, e apaixonados pelo que fazem, Carolina e Renato Loose são proprietários da Par Filmes, agência que atua no segmento de filmagem para casamentos e oferece um serviço diferenciado pela estética e zelo na gravação dos vídeos. Ela, formada em moda. Ele, jornalista. O casal, idealizador do blog Binóculo, que falava sobre moda, design, ilustração e processos criativos, apresenta boa percepção imagética e irreverência em suas criações devido às suas experiências profissionais. Hoje, o casal, que trabalha em casa e sempre teve coragem para se reinventar, já tem três anos de trajetória na área.

O Studio Simples, comandado por Lívia Farnese e Giuliano Cretoiu, também assiste a esse compartilhamento de vida pessoal e profissional. Com projetos nas áreas de design, conteúdo e marketing, eles trabalham com foco em fazer marcas se comunicarem melhor. O Studio Simples acredita que a simplicidade descomplica e nos leva a resultados positivos nos negócios e na vida. O casal leva essa filosofia também para seu cotidiano. Segundo eles, quando se conhece a rotina e as obrigações do outro, a aproximação é ainda maior e a compreensão também. Giuliano diz que são muitos os benefícios em trabalhar na companhia da esposa: “estar mais juntos no dia a dia, ter confiança total no parceiro de trabalho, ter liberdade de dizer o que pensa, resolver problemas de forma mais afetiva e conseguir alcançar objetivos em comum.”. Para Lívia, o maior desafio é conseguir separar a vida pessoal da profissional. “Como somos um casal, precisamos agir como tal em nossa rotina de casados e não levar para nossos momentos de lazer os problemas de trabalho ou alguma demanda que está pendente. E nos momentos de trabalho, é preciso se concentrar nas tarefas, ter comprometimento e organização.”, afirma.

Para a psicóloga Angélica Falci, um casal bem estruturado emocionalmente consegue trabalhar junto e ainda assim obter muitos ganhos significativos. Para ela, é importante que as funções e atividades sejam bem definidas, para que ambos alcancem a excelência nesse convívio. “Os pontos positivos são fortalecidos, pois intensificam a comunicação, e, mesmo em momentos de forte stress, o casal passa a conhecer melhor o formato e linguagem um do outro.”, afirma a psicóloga. Entre os pontos positivos, são destacados: resiliência mais intacta e retorno às atividades sem muito rancor e fúria; fortalecimento da admiração, já que as conquistas são vibradas no momento ocorrido e com muita proximidade; maior interesse sobre a evolução intelectiva / cognitiva um do outro; melhor relacionamento com a rotina, pois aprendem a respeitar e valorizar o ritmo e tempo que necessitam; assuntos mais amplos para serem tratados, porque aprendem a falar muito sobre o trabalho, mas, como escape, necessitam também trocar uma boa conversa sobre outros assuntos, até mesmo como relaxamento.

“Essa combinação é muito interessante, pois as mulheres aprendem a ficar mais resolutivas, práticas e objetivas com mais propriedade dos comportamentos necessários para o mundo empresarial. Em contrapartida, os homens podem ficar mais atentos aos detalhes e valorizar a voz feminina num ponto de igualdade.”, diz Angélica Falci, que ainda completa: “Quando existe maturidade emocional/conjugal, o casal pode sim construir muito além do patrimônio financeiro: a preservação do respeito, amor e admiração como combustível necessário para uma vida exemplar.”

Renato e Carolina Loose afirmam que o fato de trabalharem juntos nunca atrapalhou o relacionamento dos dois. Aulas de idiomas, atividades físicas, amor aos gatos, fotografia, filmagem e edição. Além de todas essas combinações, o casal se assimila até no senso estético, o que contribui na construção dos filmes.

Serviço
Par Filmes
Instagram: @par_filmes

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Práticos, os homens cultivam plantas que não dêem muito trabalho

Daniela Sedo

Eles têm deixado o preconceito de lado e optado por se aproximar mais da natureza 

Ao contrário do que muita gente pensa, os homens em geral também gostam de ter plantas em casa, hoje em dia eles estão muito mais cuidadosos, não só com vestuário e pele, mas também com o ambiente em que habitam. Porém o que eles não querem é que as plantas gerem muita manutenção, e com isso demandem mais tempo e cuidado. Isso se deve ao fato de muitos passarem o dia todo em escritórios, viajando ou em diversas outras atividades. E, por este motivo, a escolha da espécie para a casa de um homem depende do perfil do morador. 

Para aqueles que têm tempo para regar e cuidar das plantas, indico uma palmeira de sombra da espécie das Chamaedoreas. Esta espécie pode ser colocada em ambientes como sala de estar, de jantar, lobby e outros. É interessante colocá-la em vasos de acrílico colorido nas cores marrom café ou preto, pois são cores mais neutras e que trazem um ar mais sofisticado ao local. Quanto aos cuidados, esta palmeirinha precisa ser regada de 1 a 2x por semana e suas folhas podem ser limpas uma vez por mês com um pano úmido, apenas para a retirada de poeira.

Já para os que viajam muito, sugiro o Cactús, que pode ser incorporado a vários ambientes da casa e, inclusive, no escritório, exposto ao ar-condicionado. Ele deve ser regado de 1 a 2x ao mês, porem precisa ser mantido em local com Sol, como numa varanda ou em frente a uma janela com face Norte ou Oeste, para que peguem bastante sol. Generalizando, em varandas que pegam mais de 4 horas de Sol, as espécies mais adequadas são as que apreciam Sol. Já varandas com menos de 4 horas de Sol, devem ter espécies de meia sombra ou de sombra, dependendo se o Sol será da tarde (mais quente) ou da manhã (menos quente).

Não costumo indicar flores para ambientes masculinos, porque plantas com flor normalmente requerem muitos cuidados, como adubação, rega constante, além de outros cuidados especiais. Mas a orquídea, por exemplo, pode ser utilizada na casa de um homem, porém é de suma importância que haja rega e drenagem adequadas. A rega deve ser feita uma vez por semana e de preferência na pia da cozinha, neste caso deve retirá-la do cachepô e regá-la com um copo de água dentro da pia mesmo, para que a agua escoe até parar de pingar. Depois ela pode ser recolocada no cachepô. Quando já estiver com flores, reduzir a rega para 1x a cada 15 dias. O miniantúrio também é interessante, e ele é ideal para ambiente sombreado e pode ser plantado em vaso com matéria orgânica e solo bem macio.

De modo geral, espécies certas para áreas internas são espécies de sombra, tais espécies possuem folhas delicadas que não suportam a incidência direta da luz do Sol em suas folhas (elas geralmente queimam e ficam com manchas). Se mesmo sendo ambiente interno, o local onde estiver o vaso pegar Sol direto, neste caso a espécie pode ser de meia sombra ou ate mesmo de Sol.

Daniela Sedo
Arquitetura e Paisagismo

sábado, 12 de dezembro de 2015

As lições do técnico Tite para os profissionais do Direito




Acalmem-se os ânimos, o que aqui será dito não é tema de futebol, mas sim de comportamento e liderança. E nesse campo, inegavelmente, o técnico Tite, que levou o Corinthians a vencer o Campeonato Brasileiro, tem muito a dizer. Sua vitória não se restringe aos jogos, vai além, alcança, pelo exemplo, as mais diversas profissões, inclusive as jurídicas.

A primeira observação que se faz é aparentemente simples. Mas só aparentemente. Entrevistado pela revista Veja sobre o segredo do sucesso, respondeu o treinador: “Não há segredo. É trabalho”.i E mais adiante : “trabalhar a equipe toda e não somente os onze...”. Duas lições importantes ele transmitiu: a) é necessário sacrifício para alcançar o sucesso; b) para mantê-lo e avançar mais, é preciso cuidar de toda a equipe e não apenas dos mais próximos.

O recado é decisivo para estudantes. Mas o exemplo será o de um advogado que deu tudo de si para realizar o seu sonho. Depois de 15 anos de formado e de muito trabalho, ostenta boa posição. Respeitado, economicamente estável, instalado em imóvel próprio, lidera vinte e cinco profissionais, entre advogados, estagiários e funcionários. Tal situação só persistirá se souber conduzir com sabedoria o grupo que comanda, se souber prestigiar os que começam e dar suporte aos da área administrativa. Sem isso poderá sucumbir aos poucos, por força da concorrência dos mais novos e do seu próprio envelhecimento, pois as novas gerações tendem a procurar os profissionais da sua idade.

Mas, além do trabalho é preciso liderar o grupo. E conduzir um time de futebol importa em trabalhar com jogadores de temperamentos diferentes, salários díspares, desavenças pessoais, vaidades, disputas internas para manter-se no primeiro time, diretoria com metas às vezes divergentes, campeonatos exaustivos e tudo o mais. Será diferente no âmbito das profissões jurídicas? Não, por certo.

Imagine-se presidir um tribunal. Um bom presidente terá que atender seus colegas, mas precisará de habilidade para conviver com um grupo derrotado nas eleições e que lute contra seus projetos, bons ou maus. Deverá estar atento para as vaidades, a começar pela sua. Convidado para tudo, poderá sentir-se especial e não perceber que aquele é um momento apenas. Servidores poderão disputar influência em suas decisões, exatamente como sempre ocorreu e ocorre em qualquer centro de poder. Apaziguá-los e não perder os bons valores é imprescindível para conduzir a política interna. Precisará acostumar-se às reivindicações do sindicato, às quais, muitas vezes, não poderá atender.

Administrar situações de crise é essencial, no futebol e nas profissões jurídicas. Na disputa do campeonato mundial no Japão, véspera do jogo contra o forte Chelsea, os jogadores intimidados com o adversário, Tite reuniu-se e, olhando nos olhos de cada um, aumentou o tom de voz e depois de algumas palavras disse: “Ninguém veio aqui para se acovardar”. Apelou aos brios da equipe. Não será diferente em crises institucionais no serviço público. Nos maus momentos, a tendência é o chefe atribuir a responsabilidade aos outros, sem dúvida uma saída errada e mais cômoda. Ao inverso, o que se há de fazer é a chefia convocar todos para, juntos, enfrentarem e superarem o problema.

Por exemplo, um delegado de Polícia assume uma delegacia com quinhentos inquéritos policiais atrasados, prazos vencidos, o Ministério Público cobrando medidas. De nada adiantará culpar seu antecessor, assunto esse a cargo da Corregedoria. O que se tem a fazer é reunir os funcionários, pedir colaboração, criar um plano estratégico de ação onde casos graves terão prioridade e os banais serão concluídos sem maior rigor, e baixar as estatísticas. A vitória será do grupo, cuja autoestima crescerá em pouco tempo. Os resultados serão visíveis.

Não tripudiar sobre o adversário é outra lição do treinador. Após ter ganho de 3 a 1 do Atlético Mineiro, Tite ouviu do técnico da equipe mineira críticas sobre arbitragens que beneficiariam o Corinthians. Entrevistado a respeito, calou-se. Poderia ter revidado e aí a desavença cresceria. Que vantagem teria? Nenhuma. Exatamente igual é a situação de um advogado que é atacado pessoalmente pelo colega que defende a parte contrária. Se responder à crítica, o processo tomará outra direção e isso certamente desviará a atenção do juiz e retardará o julgamento. Em poucas palavras, a energia deve ser guardada para as coisas importantes e não desperdiçada com discussões estéreis.

A vitória exige comprometimento e isso, levado com seriedade, vai acabar prejudicando alguém. Tite, na referida entrevista, revelou: “Pelo futebol, deixei de conviver intensamente com a minha família. É uma mágoa que tenho”.

Esse tipo de sacrifício é requisito do sucesso e o importante é que ele seja discutido com os envolvidos e que seja temporário. Por exemplo, um promotor de Justiça poderá optar em ser por décadas mais um dos cinquenta promotores da capital e assim ir até a aposentadoria. Porém, se quiser deixar a marca de sua passagem, seu empenho terá que ultrapassar o horário do expediente e estará vulnerável a situações indesejáveis. Por exemplo, se estiver participando de uma operação através do Gaeco e ela atingir pessoas importantes, terá sua vida fiscalizada. Não poderá cometer o menor deslize. Imagine-se se for apanhado por uma blitz policial dirigindo com álcool no sangue. Desmoralização total. Ou seja, o comprometimento exige dedicação total, o que significa renúncia a muitas coisas. É o preço do sucesso.

É preciso ter sabedoria para aproveitar os bons momentos. Tite faz essa revelação ao dizer que gosta de cinema. Perfeito. Um profissional do Direito que viva 24 horas por dia as suas funções e que não saiba desfrutar os bons momentos que a vida lhe oferece, não tem a inteligência emocional. Imagine-se um defensor público, envolto em estafante trabalho e sem a estrutura necessária. Se ele ficar a falar desses problemas o tempo todo, dentro e fora da repartição, por certo não encontrará companhia sequer para uma caminhada no parque sábado de manhã. Não motivará o seu pessoal e nada de especial conseguirá na sua carreira.

Outro aspecto: a conduta certa não tem prazo de validade, deve ser permanente. Em entrevista para o jornal “O Estado de São Paulo”, ao responder sobre os dois últimos jogos do campeonato, com o título de campeão já assegurado, Tite respondeu: “... vamos ser dignos até o final”.iiEsse é um conselho para os mais velhos. Alguns, após uma vida profissional exemplar, deixam de lado sua rica história para sucumbir diante de uma proposta indecente.

Finalmente, perguntado sobre o “prazo de validade” de um atleta, em entrevista para o mesmo jornal, respondeu: “O prazo de validade do atleta é quando ele não se sentir desafiado, com o olho brilhando para evoluir profissionalmente”. A resposta cai como uma luva para aqueles profissionais do Direito que espalham pessimismo, desestimulando os que lhe são próximos, principalmente os jovens. Os que perderam o brilho nos olhos, estejam nos tribunais, procuradorias, Ministério Público, na academia ou outros órgãos, tal qual os que atuam na advocacia privada, fariam um bem a si próprios e à sociedade deixando o posto para os que desejam lutar.

i Revista Veja, ed. Abril, 48, 2 de dezembro de 2015, p. 19.

ii O Estado de São Paulo, 27 de novembro de 2015, A34.

Vladimir Passos de Freitas é desembargador federal aposentado do TRF da 4ª Região, onde foi corregedor e presidente. Mestre e doutor em Direito pela UFPR, pós-doutor pela Faculdade de Saúde Pública da USP, é professor de Direito Ambiental no mestrado e doutorado da PUC-PR. Presidente eleito da "International Association for Courts Administration - IACA", com sede em Louisville (EUA). É vice-presidente do Ibrajus.

Revista Consultor Jurídico, 6 de dezembro de 2015, 8h01

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Prêmio de Direitos Humanos

O Prêmio de Direitos Humanos consiste na mais alta condecoração do governo federal às pessoas e instituições que realizam ações de destaque e relevância no âmbito da proteção, promoção e enfrentamento às violações dos direitos humanos no Brasil.

Conheça os agraciados de 2015 nas 18 categorias:

01. Defensores de Direitos Humanos – “Dorothy Stang”: Coletivo Margarida Alves de Assessoria Popular

02. Direito à Memória e à Verdade: Memorial da Resistência de São Paulo

03. Prevenção e Combate à Tortura: Ricardo Lewandowski

04. Combate e Erradicação ao Trabalho Escravo: Brígida Rocha dos Santos

05. Pátria Educadora – Educação e Cultura em Direitos Humanos: Comitê Estadual de Educação em Direitos Humanos do Piauí

06. Comunicação e Direitos Humanos: Leonardo Sakamoto

07. Garantia dos Direitos da População em Situação de Rua: Clínica de Direitos Humanos Luiz da Gama da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo

08. Segurança Pública, Acesso à Justiça e Combate à Violência: Ordem dos Advogados do Brasil do Paraná – OAB Paraná: Projeto OAB Cidadania

09. Promoção e Respeito à Diversidade Religiosa: Rad Assis Brasil Ugarte

10. Garantia dos Direitos da População de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais – LGBT: Escola de Educação Básica Coronel Antônio Lehmkuhl – Projeto Expressão de Gênero da infância à juventude e Faces da Homofobia

11. Acesso à Documentação Civil Básica: Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania de Minas Gerais

12. ECA 25 anos: Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente: Tiana Maria Sento-Sé Chaves (em memória)

13. Garantia dos Direitos da Pessoa Idosa: Edusa César Menezes de Araújo Pereira

14. Inclusão da Pessoa com Deficiência: Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto

15. Igualdade Racial: Silvana do Amaral Verissimo

16. Autonomia das Mulheres: Rede Thydêwá

17. Garantia dos Direitos da População Indígena, Quilombolas e dos Povos e Comunidades Tradicionais: Coordenação Nacional das Comunidades Quilombolas – CONAQ

18. Selo Nacional de Acessibilidade: Gabinete Digital da Prefeitura Municipal de Caruaru

Menção Honrosa: Projeto Respeitar é Preciso! – parceria Instituto Vladimir Herzog e Prefeitura do Município de São Paulo.