domingo, 3 de abril de 2016

Joaquim Barbosa parece ter ganhado apartamento de graça em Miami, diz jornal dos EUA

Postado em 3 de abril de 2016 às 4:45 pm


Quando a imprensa do Brasil descobriu que o ex-presidente do STF Joaquim Barbosa havia comprado um apartamento em Miami em 2012, foi-lhe perguntado quanto ele tinha pago.

Barbosa recusou-se a dizer.

O problema? Na Flórida, as vendas de imóveis são públicas.

Mas não a de Barbosa.

Os arquivos de propriedades do condado de Miami-Dade pareciam sugerir que o magistrado de 61 anos não tinha pago nada por seu apartamento de um quarto no Icon Brickell, um dos arranha-céus mais conhecidos num bairro da moda.

Os compradores são obrigados a pagar um imposto de selos fiscais quando fecham negócio em torno de uma propriedade. O imposto é de 60 centavos de dólar por US$100 pagos por uma propriedade em Miami-Dade.

Os preços de venda não são colocados nas escrituras, mas podem ser calculados a partir da taxa.

A escritura de Barbosa não apresenta imposto nenhum. (Mesmo quando alguém deixa sua propriedade para um membro da família você tem que pagar uma taxa nominal).

Acontece que Barbosa não recebeu o apartamento de graça. O vendedor da unidade enviou um contrato para o Miami Herald que mostra que Barbosa pagou US$ 335 000 em dinheiro. O imposto sobre essa venda teria representado cerca de US$ 2 000.

Três advogados imobiliários consultados pelo Miami Herald disseram que não vêem nenhuma razão para Barbosa não ter pagado imposto.

“Esta é uma escritura muito incomum”, disse um dos advogados, Joe Hernandez, da empresa Weiss Serota, do sul da Flórida.

Não está claro por que a Receita da Flórida não detectou a falta de pagamento e emitiu uma multa. Uma porta-voz declarou que o departamento não poderia comentar sobre casos individuais.

Os detalhes da compra de Barbosa vieram à tona depois de um vazamento maciço de documentos internos da empresa Mossack Fonseca, do Panamá.

A Mossack criava empresas offshore para as pessoas mais ricas do mundo. Cinco de seus funcionários foram detidos como parte de um grande escândalo de suborno e corrupção na Petrobras.

Barbosa nunca foi acusado de corrupção. Ele foi o primeiro juiz negro no Supremo Tribunal Federal do Brasil em 2003, e foi cotado como um possível candidato presidencial quando se aposentou há dois anos.

Durante seu mandato no Supremo, ganhou respeito geral por supervisionar um caso em que 20 pessoas foram condenadas por corrupção, incluindo líderes do Partido dos Trabalhadores.

Paraísos Fiscais

Os documentos da Mossack Fonseca mostram que Barbosa estabeleceu uma empresa offshore chamada Assas JB1 para comprar imóveis na Flórida, em meados de 2012, de acordo com e-mails vazados que foram trocados entre sua advogada em Miami Diana Nobile e funcionários da MF.

A empresa foi registrada nas Ilhas Virgens Britânicas, um paraíso fiscal do Caribe que não identifica os donos de corporações em seus documentos públicos.

Dias depois, Barbosa comprou o condomínio Icon Brickell usando uma empresa da Flórida chamado JB Assas. Embora o preço que ele pagou tenha sido secreto, Barbosa não escondeu seu papel na transação. Ele está listado em documentos públicos da Flórida como presidente da JB Assas.

Os estrangeiros que possuem propriedades nos Estados Unidos através de empresas offshore pagam impostos imobiliários consideravelmente menores.

O preço de compra real da unidade está registrado com o banco de dados serviço de listagem múltipla (MLS) de agentes imobiliários de propriedade privada.

Em um e-mail, Barbosa negou qualquer irregularidade. Ele disse que a empresa que lidou com a transação deve ter pagado o selo de imposto. A empresa, Casalina Título, com sede em Fort Lauderdale, não respondeu a um pedido de comentário sobre o assunto.

E Barbosa falou que não havia ocultado o valor do negócio.

“Qualquer corretor de imóveis com acesso ao sistema MLS pode verificar a quantidade paga pela minha propriedade em 2012 e seu valor de mercado atual”, escreveu.

Uma pessoa no escritório da advogada de Barbosa em Miami, Diana Nobile, desligou o telefone três vezes quando o Miami Herald ligou para fazer perguntas sobre a compra.

Meses atrás, o site imobiliário Zillow listou o condomínio de 790 pés quadrados como disponível para alugar por US$ 2 700 por mês.

Grampos ilegais estão na origem da Lava Jato, apontam documentos

Grampos ilegais, manobras para manter as investigações na 13ª Vara Federal de Curitiba e até mesmo pressão sobre prisioneiros estão entre os alvos de questionamento da legalidade da força-tarefa

POR CONGRESSO EM FOCO | 03/04/2016 10:41 

Rovena Rosa/Agência Brasil

Ação movida pela defesa de Okamotto pede que as investigações da Lava Jato que ainda não resultaram em denúncias sejam retiradas de Moro e submetidas aos juízos competentesGrampos ilegais, manobras para manter as investigações da Operação Lava Jato na 13ª Vara Federal de Curitiba e até mesmo pressão sobre prisioneiros estão entre os alvos de questionamento da legalidade da força-tarefa. Documentos obtidos por repórteres do site UOLque constam na reclamação constitucional movida pela defesa do presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, no Supremo Tribunal Federal (STF), dão conta de atos promovidos pelo juiz Sergio Moro que são alvo de questionamentos.

A ação movida pela defesa de Okamotto pede que as investigações da Lava Jato que ainda não resultaram em denúncias sejam retiradas de Moro e submetidas aos juízos competentes, em São Paulo ou no STF. A reportagem encaminhou os documentos a nove profissionais de direito, entre eles, especialistas em processo penal. Todos afirmaram que a Operação Lava Jato já deveria ter saído da 13ª Vara Federal da Curitiba há algum tempo.

Entre os procedimentos que são alvos de questionamentos sobre a condução das investigações estão os grampos ilegais. A própria origem da operação baseou-se na descoberta de um elo entre o doleiro Alberto Yousseff e o ex-deputado José Janene (PP), já falecido, a partir de um grampo aparentemente ilegal ainda em 2009 – cinco anos antes do início da Lava Jato. As investigações sobre a ligação entre os dois remonta ao ano de 2006, quando foi instaurado um procedimento criminal com esse objetivo.

O grampo em questão mostra uma conversa entre o advogado Adolfo Góis e Roberto Basilano, na época assessor de Janene, onde o advogado dá instruções sobre um depoimento – procedimento comum da advocacia. Anos depois, os desdobramentos dessa ligação chegaram a Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras e primeiro delator do esquema. Para os especialistas ouvidos, essa conversa é protegida pelo sigilo advogado-cliente. “Neste caso, a interceptação constitui prova ilícita”, avalia Gustavo Badaró, advogado e professor de Processo Penal na graduação e pós-graduação da Universidade de São Paulo.

Outro ponto questionado é a manutenção das investigações em Curitiba. O principal argumento dos que defendem que o caso já deveria ter saído do Paraná é baseado no fato de que Moro não é o “juiz natural” para julgar os crimes em questão, princípio previsto pela Constituição Federal. No entanto, Moro se baseia no critério de crimes conexos, na competência pela prevenção, para manter as investigações sob sua jurisprudência. De acordo com esse critério, quando um juiz já julgou crimes relacionados ao mesmo esquema ilegal ele é considerado “juiz natural”. No caso, Moro julgou o esquema do Banestado e, segundo ele, a ligação entre o caso de evasão de divisas descoberto no fim dos anos 90 e a Lava Jato reside no fato de que alguns investigados, como Janene e Yousseff, foram flagrados em escutas telefônicas falando sobre outros supostos crimes, estes sim relacionados à Petrobras.

Porém, o entendimento do STF é de que escutas telefônicas que revelem delitos diferentes dos que estão sendo investigados constituem “provas fortuitas” e não têm a capacidade de gerar a chamada conexão por prevenção. A decisão do STF embasa a defesa de Paulo Okamotto, que na ação movida na corte chama a prática de “jurisprudência totalitarista”.

O juiz Sergio Moro preferiu não comentar o assunto.

Os delírios de poder da família Frias


Posted by eduguim on 03/04/16




Ao menos este blogueiro não se surpreendeu em nada com o “editorial” publicado neste domingo (3 de abril) pelo (ainda) principal tentáculo da família Frias, o jornal Folha de São Paulo. O texto “decreta” que a presidente Dilma Rousseff reununcie ao mandato concedido pela maioria dos brasileiros em 2014.


Por que seria diferente? O conceito de democracia da Folha ficou bem expresso em outro editorial que esse veículo publicou em 2009 e que emitiu outro “decreto”, o de que a ditadura militar brasileira não foi dura, foi branda, uma “ditabranda”.

Sabe por que, leitor? Porque, segundo a família Frias, a ditadura brasileira matou “pouca” gente em comparação com o que mataram as ditaduras militares argentina e chilena.

Confesso que, em 2009, fiquei surpreso com a Folha. Tão surpreso que, através deste Blog, convoquei leitores paulistanos a irem comigo para diante do jornal para protestar contra aquela barbaridade.



A Folha de São Paulo foi obrigada a registrar um ato que, diferentemente do que diz o jornal, reuniu mais de 500 pessoas na Barão de Limeira, entre estudantes, sindicalistas, vítimas de ditadura, políticos e demais cidadãos indignados com aquela tese aviltante à memória de tantos quantos lutaram contra a ditadura.


Era falta de informação da minha parte me surpreender com os “editoriais” da Folha. Eu sabia que o jornal tinha apoiado a ditadura, mas só fui entender direito qual o nível de desprezo da família Frias pela democracia quando, após o editorial e a manjifestação que convoquei contra a “ditabranda” inventada pelo jornal, começaram a surgir livros, artigos e estudos sobre a atuação do veículo naquele período e, mais do que isso, sobre a natureza de seu fundador.

Vamos jogar um pouco de luz sobre o fundador da Folha.
O homem fardado e a declaração proferida por ele que o leitor pode conferir na foto no alto desta página correspondem a Otávio Frias de Oliveira, o falecido fundador do jornal Folha de São Paulo.

Imagem e palavras pertencem a momentos distintos de sua vida. Todavia, unidas explicam por que seus herdeiros foram resgatar em arquivos dos órgãos de repressão da ditadura militar as desculpas usadas por esta para prender e torturar Dilma Vana Rousseff, a presidente eleita do Brasil.
Vendo, porém, o perfil do fundador da Folha, entede-se tudo.

Frias de Oliveira lutou na Revolução Constitucionalista de 1932, que tentou dar um golpe de Estado contra Getúlio Vargas. Coerente com seu apreço pelo militarismo e pela derrubada de governos dos quais não gostava, apoiou o golpe militar de 1964.

Naquele período, a Folha de São Paulo serviu de voz e pernas para os ditadores que se sucederiam no poder ao exaltá-los e ao transportar para eles seus presos políticos até os centros de tortura do regime.

No dia 21 de setembro de 1971, a Ação Libertadora Nacional (ALN) incendiou camionetes da Folha que eram utilizadas para entregar jornais. Os responsáveis acusavam o dono do jornal de emprestar os veículos para transporte de presos políticos. Frias de Oliveira respondeu ao atentado publicando um editorial na primeira página no dia seguinte, sob o título “Banditismo”.

Eis um trecho do texto:

“Os ataques do terrorismo não alterarão a nossa linha de conduta. Como o pior cego é o que não quer ver, o pior do terrorismo é não compreender que no Brasil não há lugar para ele. Nunca houve. E de maneira especial não há hoje, quando um governo sério, responsável, respeitável e com indiscutível apoio popular está levando o Brasil pelos seguros caminhos do desenvolvimento com justiça social-realidade que nenhum brasileiro lúcido pode negar, e que o mundo todo reconhece e proclama. […] Um país, enfim, de onde a subversão -que se alimenta do ódio e cultiva a violência – está sendo definitivamente erradicada, com o decidido apoio do povo e da imprensa, que reflete os sentimentos deste. Essa mesma imprensa que os remanescentes do terror querem golpear.”

O editorial “Banditismo” foi publicado em 22 de setembro de 1971. Foi escrito por Octavio Frias de Oliveira, fundador da Folha de São Paulo.

O presidente da República de então era Emílio Garrastazu Médici. Nomeado presidente pelos militares, comandou o período mais duro da ditadura militar. Foi a época do auge das prisões, torturas e assassinatos de militantes políticos de esquerda pelo regime.

Apesar dos elogios de Frias de Oliveira à ditadura, segundo a Fundação Getúlio Vargas foi no governo Médici que a miséria e a concentração de renda ganharam impulso. O Brasil teve o 9º Produto Nacional Bruto do mundo no período, mas em desnutrição perdia apenas para Índia, Indonésia, Bangladesh, Paquistão e Filipinas.

O jornal que escreveu esse “editorial” infame pedindo a cassação de 54 milhões de votos com base em manifestações de rua e na índole golpista da imprensa e da oposição se coadunam à perfeição com a natureza do homem que fundou essa pocilga que alguns chamam de “jornal”.

Brasil resiste às tentativas de golpe

Publicado por CdB em 03/04/2016 

O Brasil vive um clima de ódio alimentado em permanência pelos meios de comunicação que dificulta o dialogo político e coloca em perigo a coesão nacional tão necessária para superar a crise política

Por Marilza de Melo Foucher – de Paris

Acabo de chegar do Brasil. Foi um mês tentando mergulhar na complexa realidade da política brasileira. Um mês de silêncio, apenas observando as reações por parte de uns e outros. Percebi que escrever um artigo dentro do atual contexto da política brasileira é tarefa árdua, num país dividido e traumatizado.

Manifestantes protestam contra apoio da TV Globo à tentativa de golpe de Estado, em curso

Ser minoria no seio de famílias reacionárias exige muito autocontrole e comportamento democrático para escutar, entender suas contradições e gerenciar os conflitos. Como jornalista este exercício por vezes é útil, trata-se de um treinamento para guardar os nervos sólidos para não atrapalhar o raciocínio lógico. No calor dos trópicos às vezes derrete… Eu estava na Amazônia com um calor intenso e muita umidade…

Corrupção como estratagema de
um golpe político- mediático- judiciário

O Brasil vive um clima de ódio alimentado em permanência pelos meios de comunicação que dificulta o dialogo político e coloca em perigo a coesão nacional tão necessária para superar a crise política. A grande mídia age com parcialidade quando relata os fatos ligados à corrupção. Ela decidiu que existe um único réu culpado de corrupção no Brasil, trata-se do Partido dos Trabalhadores. A luta contra a corrupção não pode se restringir somente a um partido político, enquanto os maiores envolvidos nos escândalos de corrupção não são perseguidos, sequer mencionados, ao contrário, são protegidos. A grande mídia desinforma mais do informa, ela incentiva uma convulsão social no intuito de abrir espaço para soluções golpistas e fascistas. Um fato notório e lamentável é a cumplicidade existente entre a grande mídia e alguns membros do setor judiciário e da policia federal. Eles se retroalimentam em permanência sobre o andamento das investigações da Operação Lava-Jato, os vazamentos são seletivos e sistemáticos. Em seguida, as informações são astuciosamente comentadas pela grande imprensa e pela Rede Globo que volta à sua origem golpista (ela colaborou com a ditadura e foi aliada incondicional). Agem de modo sensacionalista sem nenhum respeito à presunção de inocência e soterram o direito de defesa. O único objetivo é a derrubada do governo Dilma e a prisão de Lula. Essa atitude de manipulação expressa da grande mídia e arbitrariedade dos setores da justiça é um atento ao estado de direito e a legalidade democrática.

O abuso de poder cometido pelo juiz Sérgio Moro ao agir como agente político e sua cumplicidade com a Rede Globoevidenciam o quanto o Judiciário está sendo utilizado como instrumento do golpe de Estado. A instância máxima da Justiça brasileira (O Supremo Tribunal Federal – STF) tem obrigação de assumir o papel para preservar a imparcialidade que a Justiça requer. Os magistrados não podem incitar a população contra quem quer que seja. Este clima de instabilidade política tem gerado controvérsia entre juristas, cientistas sociais e políticos, parlamentares e militantes partidários e associativos.

A Operação Lava-jato ao se politizar deixou de ser um avanço para ser um retrocesso na luta contra a corrupção. Qualquer investigação deve respeitar os princípios constitucionais, seguindo a regra que todos são iguais perante a lei. Não se pode politizar o judiciário, qualquer desrespeito à lei fragiliza a democracia. Com este modo de proceder alguns membros do setor judiciário e da grande mídia perderam a oportunidade de envolver a sociedade brasileira para um amplo debate sobre o tema tão arraigado ao modo de agir da maioria dos brasileiros. Seria uma excelente ocasião de combater todas as formas de praticas corruptas existente em várias camadas sociais da população. Entender o vírus da corrupção e porque ele continua enraizado na cultura do jeitinho brasileiro seria fundamental, pois o momento era ideal.

Todavia, ficou claro que o que está em jogo é a tomada de poder, o combate à corrupção não é a meta nem a preocupação dos chamados justiceiros e nem dos políticos da direita brasileira. A corrupção é apenas um pretexto com fins politiqueiros. Sabe-se que a corrupção de hoje não é maior do que a historicamente existente no país. A única diferença é que ela hoje está sendo investigada e com condenações. E isto só aconteceu nos governos petistas, o que representa uma situação inédita no Brasil e uma evidência clara que as instituições republicanas, ainda que frágeis, começam a se consolidar.

O mais trágico nesse imbróglio político-judiciário é que os presidentes da Câmara e do Senado, além de 34 integrantes da comissão do impeachment estão sendo investigados no Supremo Tribunal Federal (STF). Este fato questiona a legitimidade dos condutores do processo na ação contra a presidente Dilma. O eminente jurista brasileiro Dalmo Dallari afirma que oimpeachment está previsto na Constituição, nos artigos 85 e 86, mas estabelece exigências muito precisas, muito específicas. Se não atender a essas exigências, é golpe. No caso da presidente Dilma, as pedaladas fiscais não caracterizam crime de responsabilidade. Diz ainda que governo fraco ou ruim não é fundamento para impeachment. Pelo contrário, pode até facilitar a vida dos adversários na próxima eleição. E conclui que está sendo praticado um golpe no Brasil sem uso de armas.

Hoje, o governo é refém de conspiradores políticos denunciados por vários crimes de corrupção e sonegação de impostos, desvio de dinheiro publico etc. O mais absurdo é que são eles que querem assumir as rédeas do poder! Ao tentar mergulhar o país no caos e esmagar os direitos conquistados, a oposição assume a responsabilidade na deflagração do ódio e da violência sem limite com imprevisíveis consequências. No lugar de agir pela manutenção da paz social e o bem-estar da nação brasileira, eles alimentam o monstro que tanto mal fez a Europa, o fascismo e o nazismo. Lamentavelmente, muitos correspondentes dos jornais estrangeiros não buscam informações fora do circuito da grande mídia, hoje o maior partido de oposição ao governo e ao PT. Existem correspondentes que simplesmente copiam e traduzem diretamente as informações da grande imprensa, sem cruzar com outras fontes de informações. Por vezes sem análise política alguns correspondentes contribuem para deturpar a realidade brasileira hoje extremamente complexa.

A crise política e os erros do PT

Em primeiro lugar, não podemos negar que alguns dirigentes do Partido dos Trabalhadores cometeram erros demonstrando uma fragilidade diante do exercício do poder. Alguns se corrompem pelas facilidades nas relações que mantém com os poderes. Não se pode negar que alguns membros do PT traíram a filosofia do partido. Podemos dizer também que traíram o ideal político, o PT foi o partido que mais lutou pela democracia no Brasil e pela ética na política. O PT foi o único partido na América latina que nasceu composto de uma pluralidade de tendências políticas de esquerda, um exercício único de respeito democrático dentro de um partido. Mesmo sabendo-se que a degeneração ética da política brasileira atravessou o século XX, nada justifica o envolvimento de alguns membros do PT que se ajustaram à lógica corrupta da democracia representativa brasileira.

Estes fatos decepcionaram uma grande parte da militância petista. Tanto que muitos deles abandonaram o PT e criaram outros partidos mais radicais, considerados mais à esquerda, exemplos dos partidos de origem trotskistas como PSTU e PSOL e alguns que aderiram aos partidos de centro-esquerda como o PSB e, por último, a Rede. Entretanto, apesar de erros de conduta política não podemos negar que este partido ao chegar ao poder com a figura emblemática de Lula mudou a cara do Brasil. Por mais fragilizado que esteja hoje o PT, sua base social e eleitoral continua sendo expressiva. Talvez esta crise política possa ser benéfica para o PT se reconstruir a partir de seus erros. O Lula já praticou seu mea-culpa em varias ocasiões.

Qualquer brasileiro tem direito de ser contra o governo, de ir para as ruas para protestar, todavia, ele não pode contribuir para a destruição da nova democracia. Ninguém pode negar os esforços dos governos petistas em reforçar o estado de direito no Brasil, e de ter tentado garantir aos brasileiros melhores condições de vida.

O Brasil antes era visto como o país dos excluídos, dos miseráveis. Era o país rico entre os mais desiguais do mundo. Com os governos de Lula e no primeiro mandato de Dilma, o Brasil passou a ser visto no plano internacional como o país da inclusão social. Considerado por todas as instancias multilaterais como o país que mais lutou contra a fome e melhoria das camadas pobres em todo território nacional. Todos reconhecem os esforços dos governos petistas para melhorar o quadro das desigualdades sociais, os exemplos aos programas de distribuição de renda e de acesso aos direitos foram muitos, e isso não se apaga da historia porque a realidade está presente, basta analisar os dados comparativos, basta averiguar as estatísticas sociais e econômicas dos governos pós-ditaduras e comparar os avanços obtidos.

Outro dado importante foi o aumento de renda de todos os brasileiros, os dois governos de Lula adotaram o slogan do Brasil para todos, os ricos ficaram mais ricos e a classe média viu seu poder aquisitivo aumentar e os pobres acederam a muitos direitos até então negados e passaram a viver com mais dignidade. A miséria caiu cerca de 70% no país entre 2003 e 2012. A renda dos 10% mais pobres no Brasil avançou 106% entre 2003 e 2012. O salário mínimo teve um aumento real de 72,75%, não só recompôs as perdas sofridas pelos trabalhadores durante a década perdida de 1980 e o período neoliberal dos anos 1990 – marcado por baixo crescimento e pelas privatizações –, como garantiu o maior poder de compra de sua história. Vale ressaltar que esta iniciativa se distingue das medidas tomadas pelos governos da França e outros países europeus, tais como a Espanha, Portugal e a Grécia, no enfrentamento da crise da economia global, onde o crescimento do desemprego tem vindo acompanhado da redução dos direitos trabalhistas e sociais.
A Globo e o golpe

Talvez, sejam estes dados que incomodam a direita brasileira, que detesta os pobres, que reclama pelo fato que hoje eles viajam de férias e compartilham o mesmo avião. Que a empregada domestica negra pode ter uma filha na Universidade. Como disse o cientista político que entrevistei para o jornal Mediapart de Paris Adriano Codato: Os “pobres” (isto é, aqueles que ascenderam socialmente ao nível de consumidores) são ignorantes porque desconhecem as informações verdadeiras que só aquela classe média tradicional alega possuir sobre os políticos, sobre o funcionamento da economia, o destino dos impostos, etc.

O presidente Lula entendeu que a política é a arte do compromisso e como sindicalista soube negociar preservando interesses contraditórios. Usou de sua habilidade para seduzir, conciliar e persuadir conseguindo cumprir a meta que havia fixado em resolver os problemas sociais mais agudos da sociedade brasileira. Alguns afirmam que na área econômica, ele teve uma postura conservadora e foi reformista na área social de políticas públicas. O Presidente Lula sempre teve uma grande capacidade de falar às massas e de reconstruir pontes com os empresários, os trabalhadores assalariados e os movimentos populares. O que falta na presidenta Dilma. Esse seu jeito de ser e agir incomoda a oposição política-mediático-judiciário protagonistas da armação do golpe e pela prisão de Lula. Temem que ele possa voltar a ser presidente e dê continuidade ao processo de inclusão social e continue sua batalha por um mundo multipolar, e, por uma cooperação baseada na reciprocidade, onde cada país possa discutir em pé de igualdade o que melhor convém para seu progresso social.

Uma coisa é certa, a política desenvolvimentista baseada no crescimento econômico adotada pelos governos petistas por si só não é suficiente para reduzir a pobreza e a desigualdade no Brasil. Os governos petistas tiveram um bom desempenho na política social brasileira, mas, existem interpretações contraditórias quanto à sua política de desenvolvimento. A meu ver eles deveriam ter esboçado um projeto de sociedade para o Brasil a partir de uma visão holística do desenvolvimento territorial, onde todos os setores se interagem numa visão de ecossistema. Numa política desenvolvimentista, as políticas de redução da desigualdade, a pobreza diminui apenas em termos de crescimento econômico.

A economia do Brasil mostra a trajetória da concentração de renda e sublinha a responsabilidade das políticas governamentais desfavoráveis a uma partilha mais equitativa da riqueza nacional. Lula foi criticado pela sua própria ala esquerda por ter favorecido certa concentração de renda no país para as categorias mais ricas e não ter feito uma reforma tributaria para taxar as grandes fortunas que continuaram a sonegar impostos e praticar a evasão fiscal. Acreditamos que é difícil ter uma melhor divisão de renda sem sistema fiscal eficiente daí a necessidade de tornar o sistema fiscal progressivo e ter uma despesa pública mais eficaz. Todavia, nem Lula e nem Dilma ousaram a fazer verdadeiras reformas estruturais entre estas a reforma tributaria e a reforma política.

Logicamente, um governo de coligação e com um parlamento fisiológico os ganhos políticos já foram consideráveis, entretanto, não foram suficientes para reformar estruturalmente o país. Quem sabe, se o golpe não ocorrer e com a saída do heteróclito PMDB que o escritor Jorge Amado já dizia em 1992 que era um saco de gatos (Velho Novo Jornalismo de Gianni Carta-Codex, 2003), com a condenação jurídica do Presidente da Câmara o deputado Cunha, o Brasil entre em normalidade institucional. O Presidente Cunha fundamentalista evangélico possui treze contas secretas na Suíça, é acusado de licitações fraudulentas na Companhia de Habitação do Rio de Janeiro, fez uso de documentos falsos, acusado na Operação Lava-jato no esquema de desvio da Petrobras, não daria pra citar todos os processos do qual ele é acusado, todavia, sempre foi defendido e acobertado pelo seu amigo Vice Presidente da Republica, o senhor Temer, pela Rede Globo de televisão e pela revista Veja.

As elites dominantes no Brasil querem tomar as rédeas da máquina do governo para manter seus privilégios e se apropriar da riqueza nacional gerada na ausência de qualquer vontade política para melhorar a distribuição de renda em todo o país assim que as condições de vida do povo brasileiro.

Os brasileiros que saíram às ruas no dia 31 de março foram mais de 2 milhões, mas o silêncio da grande mídia foi total. Muitas que foram às ruas não aprovam o governo Dilma, todavia, todos defendem a consolidação da democracia no Brasil hoje ameaçada pelo golpe mediático–político-jurídico. A manifestação popular foi belíssima, contou com a presença de artistas, intelectuais, Ongs, movimentos sociais, sindicatos, todas as categorias sociais estavam presentes, era o Brasil multicolorido nas ruas. A jovem democracia resistirá ao golpe!

Marilza de Melo Foucher é economista, jornalista e correspondente do Correio do Brasil, em Paris.

sábado, 2 de abril de 2016

O HERÓI ANÔNIMO QUE SALVOU LULA DE MORO EM CONGONHAS. POR CAVALCANTI DA GAMELEIRA

Cavalcanti da Gameleira, autor do texto a seguir, é historiador.

Capitão Sérgio Macaco
DCM - O cenário estava todo montado para a condução coercitiva do ex-presidente Lula. Ao melhor estilo OBAN, efetuou-se o sequestro ao final da madrugada; “Nacht Und Nebel” – Noite e Nevoeiro: esse era o dístico dos “Einsatzgruppen” das SS nazistas, quando saíam a cumprir a sua nefanda missão de eliminar adversários políticos protegidos pelo breu das horas mortas.

Cenário midiático, bem entendido; talhado sob medida para expor à execração pública o homem que resgatou a autoestima do Brasil e de seu povo. Avisadas com antecedência, equipes de profissionais dos principais meios de comunicação do país, articulados com setores golpistas enquistados no aparelho de Estado, já estavam a postos em São Bernardo do Campo. Lá se iniciaria o Auto de Fé, com o herege impenitente sendo conduzido na carroça, digo, camburão, até o aeroporto de Congonhas. Lá o aguardavam outras equipes dos orgãos de imprensa, para os quais vazaram, convenientemente, informações privilegiadas que davam conta da prisão iminente do mito.

Escolta-se a Esperança para a sala VIP do aeroporto, transmutada em dependência da Polícia Federal. Inicia-se lá o interrogatório do D. Sebastião dos pobres, do redentor da Pátria humilhada. No hangar ao lado, um jatinho esperava para conduzi-lo à República de Curitiba, onde se daria o “grand finale”: sob o espocar de fogos de artifício, disparados por incendiários notórios da República, o sentenciado vestiria o sambenito e a Nação, ofuscada pelo brilho dos “flashs”, o veria ser tragado para os porões sombrios da Guantánamo meridional. Sua imagem política, esquartejada e salgada, seria declarada infame por várias gerações; sua “raça” exterminada. Solução Final.

Mitos, porém, conservam como característica uma extraordinária capacidade de conservação; são por assim dizer indestrutíveis, pois estão enraizados no inconsciente coletivo de toda uma população. O que a República do Galeão não conseguiu fazer com Getúlio Vargas em 1954, a República de Curitiba – temporariamente sediada em Congonhas – também não lograria alcançar com Lula em 2016. Ambos encarnam as Forças Vivas da Nacionalidade; nos momentos de maior perigo para o Brasil, elas são conjuradas e se manifestam na emergência de um Herói Providencial, expressão menos de um voluntarismo individual do que de uma vontade coletiva assumida por uma personalidade singular.

A história sem dúvida tende a se repetir, nem sempre como tragédia ou farsa – como pensava Marx – mas principalmente pela revelação de Ciclos Criativos. A mesma Aeronáutica, que patrocinou a aventura golpista da República do Galeão, seria redimida posteriormente pela eclosão, dentro de seu núcleo institucional, de dois dos principais Heróis Providenciais do Brasil Contemporâneo, um e outro interpretes de um anseio coletivo mais profundo de fazer do Brasil uma Pátria verdadeiramente livre e soberana. Um deles foi o Capitão Sérgio Ribeiro Miranda de Carvalho, o Sérgio Macaco. O outro seria aquele enérgico Coronel de Congonhas cujo nome ainda não veio à lume e que, segundo consta, impediu à frente de um pelotão armado que Lula fosse embarcado no jatinho para Curitiba.

Claro que se trata de duas situações de ordem de grandeza muito diferentes. Em 1968 o Capitão Sérgio recusou-se a cumprir ordens do Brigadeiro João Paulo Moreira Burnier – então Chefe de Gabinete do Ministro da Aeronáutica – no sentido de que fosse o PARASAR, uma unidade de elite da FAB , utilizada na consumação de atentados terroristas. O principal deles previa a explosão do Gasômetro do Rio na hora do “rush”, vitimando cerca de 100 mil pessoas. Sérgio Macaco viu sua carreira militar destruída e sofreu perseguições ao longo de sua vida, encerrada precocemente em 1994. Morreu como um herói ético; evitou um horror que mancharia para sempre a memória brasileira: muito teríamos de purgar até ressignificá-la.

O obscuro Coronel de Congonhas, sem nome conhecido – ainda -, não se destacou por épica intervenção que, a exemplo daquela do Capitão Sérgio, salvaria milhares de seres humanos da morte. Seu papel – a se confirmarem as versões de que dispomos – se limitou a resgatar de um sequestro jurídico-midiático um ex-presidente do qual, sequer, consta que tivesse a sua vida ameaçada. Nem por isso a atitude daquele oficial superior se reveste de menor heroicidade.

Com a sua oportuna intervenção – e a despeito de suas motivações íntimas para tal ato, que desconhecemos – o Coronel pode ter abortado, naquele momento, o golpe em curso contra a Liberdade e a Soberania brasileira. Foi o ato de um patriota.

Deu uma sobrevida fundamental a Lula e ao projeto de Nação a que se filiam todos os nacionalistas e desenvolvimentistas desse país. O combate ainda não chegou ao fim, e o exemplo daqueles dois heróis da FAB nos fala a respeito do imperativo ético de resistirmos ao golpe, sob pena de vermos o prometido País do Futuro enxovalhado aos olhos do mundo. Tal não ocorrerá; o Brasil é muito maior do que aqueles que pretendem inviabilizá-lo. Nossa Alma Coletiva vela por nós.

Boicote a anunciantes da Globo


sexta-feira, 1 de abril de 2016

Modelo de pedido de usucapião extrajudicial

Modelo de pedido de usucapião extrajudicial - Art. 216-A da Lei de Registros Públicos - Lei 6015/73
Primeiro Pedido de Usucapião Extrajudicial da cidade de Atibaia-SP.

Publicado por Bernadete Delnero

Caros Colegas,

Atendendo a pedidos de colegas publicamos a primeira petição de usucapião extrajudicial, cujo procedimento foi criado pelo recente art. 216-A da Lei de Registros Publicos, introduzido pela Lei nº13.105/2015, que instituiu o novo Código de Processo Civil.

O procedimento segue um rito próprio e bem peculiar perante o Oficial de Registro da Circunscrição do imóvel usucapiendo e a premissa maior do sucesso da usucapião na forma administrativa é a concordância expressa da posse, tanto pelos confinantes, quanto daquele em cujo nome está registrado o imóvel usucapiendo, quando há registro, seja pelo sistema do folio real ou pelo sistema de transcrição.

Não vou aqui me preocupar em discorrer sobre o direito, visto que esse não mudou. As regras aplicáveis ao direito de declaração de domínio por meio da usucapião sejam pela espécie extraordinária, ordinária, especial ou até mesmo para a usucapião administrativa (Lei 11.977/2009) não se alteraram. O que mudou foi a possibilidade de se poder optar por uma forma mais célere e desjudicializada.

A disponibilização da peça é feita com intuito de tentar aliviar as dúvidas, assim rogo a todos, paciência e considerando ser um procedimento novo, sem precedentes, aceito sugestões e críticas.