segunda-feira, 20 de julho de 2015

Justiça a tempo (Marina Silva, ex-senadora)

Brasil 247 - Quem ainda tem esperança de um mundo e de um Brasil melhores deve manter neste momento uma grande atenção nas conquistas democráticas e apoiar com firmeza o trabalho da Polícia Federal, do Ministério Público e da Justiça. O que está em curso no Brasil não é apenas a desconstrução de um sistema político que revela, a cada dia, sua falência. Há também uma lenta construção da democracia e de instituições independentes e fortes, instrumentos de navegação em meio às crises.

Assim como saímos do impeachment de Collor para outro ciclo de evolução, com a estabilização econômica nos governos de Itamar e Fernando Henrique, que possibilitou avanços sociais no governo Lula, da mesma forma podermos ser capazes de sair da crise atual para outro momento positivo. Para isso, entretanto, devemos cuidar de manter as bases institucionais democráticas que construímos a duras penas e, como diz o ditado popular, não jogar a criança fora com a água suja.

Aparentemente, há apenas sujeira. Mas devemos ver além das aparências, ou seja, além da crise e da confusão política que se profundam e crescem. Na realidade, as novidades são poucas. A crise é a mesma e todos os envolvidos nela já faziam o que fazem e diziam o que dizem – com os mesmos maus resultados na vida do povo brasileiro – há vários meses. Os rompantes dos dirigentes políticos e as manifestações de seus seguidores, a histeria na guerrilha virtual, as justificativas diante das denúncias, tudo igual.

Num artigo que escrevi há alguns meses, quando reclamavam que eu estava em silêncio, mostrei que continuava participando da vida política brasileira com os poucos meios que tenho à minha disposição. Naquela ocasião afirmei: "basta olhar o ambiente político para ver que tudo serve à manipulação, que o objetivo não é sair da crise, mas usá-la". Isso também continua.

Se a manipulação da crise foi o modo como o presidente da Câmara encontrou para aumentar seu poder, é normal que ele agora tente explicar as denúncias de corrupção que recebe como sendo manipulação dos outros – o governo, no caso. Não há novidade nisso e boa parte dos que saem gritando "fora Cunha" parecem querer apenas aproveitar a oportunidade de apontar um novo inimigo público para desviar a atenção dos gritos de "fora Dilma".

O Congresso Nacional divide com o governo as responsabilidades pela crise e a atenção pública se volta para os parlamentares. Neste momento, deveria predominar entre eles a consciência de que o Poder Legislativo é maior que seus membros, mesmo aqueles que ocupam cargos de direção. Como poder independente, deve respeitar a independência dos demais poderes e avaliar suas ações em conformidade com a Constituição Federal.

Repito o que disse há pouco mais de uma semana, numa nota pedindo apoio aos órgãos de investigação e do sistema judiciário: "a confiança vigilante nas instituições é a melhor maneira de evitar precipitações ou aventuras". Precisamos estar alertas contra a manipulação política de qualquer lado e contra todas as formas de pressão e intimidação sobre a Justiça, o Ministério Público e a Polícia Federal.

Quando as investigações resultarem em provas e denúncias formais ao Supremo Tribunal Federal, devemos exigir o afastamento dos que ocupam cargos cujos poderes possam interferir nas decisões. Mas desde já precisamos estar atentos contra qualquer tentativa de sabotagem.

Aos denunciados resta rever suas práticas e posturas. Ao menos em nome do bom senso impõe-se evitar mexer mais ainda num equilíbrio institucional que já está precário, não usando poderes públicos como navios de guerra de onde os litigantes disparam contra os outros.

Obviamente, ninguém mais espera um comportamento minimamente virtuoso da maioria dos personagens no palco da política brasileira dos dias atuais. Mas se temos que respeitar as instituições que eles, infelizmente, dirigem tão mal, e respeitar a população que lhes confiou seu voto, temos também que manter viva nossa esperança de que a Justiça será feita e os erros serão punidos. Afinal, como disse Rui Barbosa, "a Justiça tardia nada mais é do que injustiça institucionalizada".

Que o epílogo desse drama, quando ocorrer, seja o prólogo de uma nova história de afirmação da democracia no Brasil.

domingo, 19 de julho de 2015

Epa (Coluna Veríssimo)

Às vezes imagino como seria ser um judeu na Alemanha dos anos 20 e 30 do século passado, pressentindo que algo que ameaçava sua paz e sua vida estava se formando mas sem saber exatamente o quê.

No filme 2001 — Uma odisseia no espaço, do Stanley Kubrick, astronautas descobrem na Lua (ou era em Marte?) um misterioso monólito, de origem desconhecida. Depois fica-se sabendo que o monólito fora posto ali como uma espécie de alarme. Quando exploradores da Terra o descobrissem, seria o sinal de que nossa civilização tinha os meios para invadir o espaço e se tornava uma ameaça para as civilizações extraterrenas que nos estudavam de longe desde que o primeiro primata acertara a primeira cacetada na cabeça de outro, e sabiam do que nós éramos capazes. A descoberta do monólito era um aviso: atenção, a barbárie vem aí, disfarçada de conquista científica.

Às vezes imagino como seria ser um judeu na Alemanha dos anos 20 e 30 do século passado, pressentindo que alguma coisa que ameaçava sua paz e sua vida estava se formando, mas sem saber exatamente o quê. Este judeu hipotético teria experimentado preconceito e discriminação em sua vida, mas não mais do que era comum na história dos judeus. Podia se sentir como um cidadão alemão, seguro de seus direitos, e nem imaginar que em breve perderia seus direitos e eventualmente sua vida só por ser judeu. Em que ponto, para ele, o inimaginável se tornaria imaginável? E a pregação nacionalista e as primeiras manifestações fascistas deixariam de ser um distúrbio passageiro na paisagem política do que era, afinal, uma sociedade em crise, mas com uma forte tradição liberal, e se tornaria uma ameaça real? O ponto de reconhecimento da ameaça não era evidente como o monólito do Kubrick. Muitos não o reconheceram e morreram pela sua desatenção à barbárie que chegava.

A preocupação em reconhecer o ponto pode levar a paralelos exagerados, até beirando o ridículo. Mas não algo difuso e ominoso se aproximando nos céus do Brasil, à espera que alguém se dê conta e diga “Epa” para detê-lo? Precisamos urgentemente de um “Epa” para acabar com esse clima. Pessoas trocando insultos nas redes sociais, autoridades e ex-autoridades sendo ofendidas em lugares públicos, uma pregação francamente golpista envolvendo gente que você nunca esperaria, uma discussão aberta dentro do sistema jurídico do país sobre limites constitucionais do poder dos juízes… Epa, pessoal.

Se está faltando um monólito para nos avisar quando chegamos ao ponto de reconhecimento irreversível, proponho um: o momento da posse do Eduardo Cunha na presidência da nação, depois do afastamento da Dilma e do Temer.

Luis Fernando Verissimo é escritor

sábado, 18 de julho de 2015

Especialista aponta 4 maneiras para dificultar a clonagem do cartão

Raphael Diegues raphael.diegues@misasi.com.br por imcgrupo.com 

São Paulo, julho de 2015 – Disseminando-se no mercado brasileiro, a clonagem de cartões de crédito é um problema que consegue causar mal-estar no consumidor, além de gerar inúmeras burocracias para sua resolução. Na internet, o uso do dinheiro de plástico para compras ilegais tem aumentado, e em 2014 apresentou índice médio de 3,98% durante o período. Isto é, a cada R$ 100 movimentados no comércio eletrônico, R$ 3,98 são referentes a uma tentativa de fraude.

Para Omar Jarouche, gerente de Inteligência Estatística da ClearSale, empresa especializada em soluções antifraude para transações comerciais, o aumento das fraudes online em detrimento às da realizadas presencialmente se dá pela facilidade de todo o processo, especialmente pela chipagem dos cartões de crédito no Brasil. “Efetuar uma compra ilegal na internet, mesmo com toda a segurança disponível, acaba sendo mais rápido, pois não é preciso copiar o cartão físico. Basta ter as informações necessárias para usá-lo de maneira ilegal”, explica

A fim de dificultar o número de infrações, o executivo lista a seguir quatro dicas que podem auxiliar o consumidor em uma compra pela internet:

1. A internet é segura, mas todo cuidado é pouco

Hoje podemos afirmar que a internet é um ambiente seguro para compras online. Ainda assim, é preciso estar atento aos detalhes, para não cair em uma armadilha. As lojas mais famosas tendem a ser também as menos arriscadas, mas é preciso sempre averiguar a credibilidade das lojas virtuais com buscas pela internet, além de órgãos e certificações que atestem sua idoneidade.

2. Parece, mas não é

Uma prática muito comum na internet hoje em dia é o uso de sites falsos, iguaizinhos aos originais, e imperceptíveis aos olhos mais desatentos. Duas das melhores maneiras de se resguardar contra este problema são, primeiro, perceber qual o endereço da tal loja virtual (muitas vezes o endereço não bate, e já é um indício de adulteração) e em segundo lugar, perceber as ofertas boas demais. Quando uma promoção está muito fora da curva no site, é sempre bom tomar cuidado.

3. Atenção aos dados passados pelo telefone

Algumas vezes, é possível que a loja entre em contato com você para validar alguns dados da compra. Entretanto, os dados solicitados são apenas de cunho informativo, então cuidado com perguntas que peça dados bancários ou o número completo do cartão de crédito.

4. Senha do cartão jamais

Seja qual for o local que resolver fazer sua compra, tenha em mente que a senha do seu cartão nunca será solicitada para efetuar a compra. Caso exista o campo, saia do site imediatamente. Como de costume, os únicos dados pedidos são o próprio número do cartão, data de validade e os três dígitos de segurança.

Sobre a ClearSale

Empresa especializada em soluções antifraude para transações comerciais de diversos segmentos do mercado, entre eles e-commerce, telecomunicações e mercado financeiro. A ClearSale autentica 80 milhões de pedidos por ano e, em 2014, evitou a fraude de R$ 324 milhões. Atualmente, possui 700 colaboradores e mais de 1.600 clientes.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

A desagradável tarefa de cobrar os inadimplentes

Bruno Caetano

A inadimplência do consumidor brasileiro atingiu em maio a maior alta mensal do ano, um crescimento de 4,8% em relação a abril. No confronto com maio de 2014, o aumento foi de 14,9%. Também ficou em 14,9% a elevação dos atrasos de pagamento no acumulado dos cinco primeiros meses do ano sobre o mesmo período de 2014, segundo dados da Serasa Experian, empresa de análise de crédito.

O crescimento da inadimplência é um tormento para as empresas que veem o dinheiro de suas vendas não chegar ao caixa e podem ter o equilíbrio das finanças comprometido. Para os donos de pequenos negócios a situação é até pior se comparados aos de maior porte, pois têm reduzida margem de manobra para lidar com calotes. Esses empresários muitas vezes nem sabem como cobrar de forma eficaz os atrasados. E cá entre nós, não é das tarefas mais agradáveis. 

Mas não há o que inventar nessa hora. O Código de Defesa do Consumidor impõe limites para a maneira como isso pode ser feito como não expor o inadimplente à situação vexatória.

O primeiro passo para correr atrás do que é devido é agir no tempo certo. O contato com o cliente não deve demorar. É recomendado telefonar para ele entre três e dez dias após a data de vencimento. Estudo da Serasa mostra que a probabilidade de obter o pagamento nos primeiros 30 dias é de 60%. Com o passar do tempo essa porcentagem vai caindo.

Se depois de 30 dias não houver resultado, a próxima medida é enviar carta de cobrança ou notificação pelo correio, com aviso de recebimento, para assegurar que o devedor seja alertado. Nessa comunicação devem estar o valor da dívida e o novo prazo para quitação e informação que, em caso de não cumprimento da obrigação, órgãos de proteção ao crédito serão acionados.

Se tampouco isso funcionar, a empresa pode entrar com ação judicial.

Períodos de crise econômica como o atual produzem efeitos negativos em série, com crescimento do desemprego, redução da renda da população e consequente aumento da inadimplência. O importante é conseguir receber e, se não for o caso de um devedor contumaz (a falta de pagamento pode ser um problema pontual), manter o cliente para que volte a consumir seu produto. Em caso de dúvida, procure o Sebrae-SP.

Bruno Caetano é diretor superintendente do Sebrae-SP

Salário fixo ou comissão? Qual funciona no seu negócio?

Bruno Sales - OS2 Comunicação bruno@os2comunicacao.com.br

Muito dono de comércio fica em dúvida na hora de definir a remuneração de seus vendedores. Comissão ou salário fixo? A escolha errada pode resultar em funcionários desmotivados e piora no faturamento. Em um cenário de crise e consumidor menos disposto a pôr a mão no bolso, ter uma equipe desanimada é o pior dos mundos.

Mas qual a melhor forma de remunerar? A comissão sobre o volume de vendas é um sistema adotado largamente no varejo, mas não imune a problemas. Vejamos o caso de um vendedor que se esforça ao máximo mas, por motivos diversos, não fecha nada. Ele simplesmente não terá o que receber e ficará desestimulado. Nem sempre a lógica de “quanto mais vende, mais ganha” funciona. Mesmo porque, depois de um tempo, os resultados tendem a se estabilizar, podendo provocar até uma competição não muito saudável, abrindo a possibilidade de práticas pouco éticas entre os funcionários. Essa fórmula serve mais com representantes comerciais que são autônomos.

O modelo de salário fixo também terá suas contraindicações em algum momento. Imagine que dois vendedores com desempenhos diferentes terão a mesma remuneração; quem se dedica mais e concretiza mais negócios acabará desanimando.

Diante do exposto, a alternativa de combinar as duas fórmulas parece ser a que mais se encaixa nas diferentes situações. Ao pagamento fixo soma-se a comissão de acordo com as vendas efetivadas. A questão é dosar bem o primeiro com a segunda. Fixo muito alto e comissões baixas podem levar à acomodação por parte dos empregados. O contrário faz com que o profissional desanime quando o mercado está desaquecido e a dificuldade de finalizar pedidos aumenta. Uma solução é dar um fixo não muito baixo e adicionar uma comissão atrativa. Assim, do total da remuneração do vendedor, 25% ou 30% podem vir do fixo e 75% ou 70% da comissão.

Equalizar essa conta vai trazer uma certa estabilidade entre patrão e equipe de vendas, permitindo um clima mais tranquilo no ambiente de trabalho. Isso é bom para que as pessoas concentrem seus esforços em suas atividades, sem perder tempo discutindo se o pagamento é justo ou não.

Bruno Caetano é diretor superintendente do Sebrae-SP

CONSCIÊNCIA AMBIENTAL NO BRASIL

Por Bruna Silveira Ortenzi e Tânia Cabral de Oliveira

A educação é um fenômeno observado na manutenção da sociedade de geração em geração, formando o ser humano em seu modo de ser, agir, interagir. Educar é fundamentalmente necessário para a convivência em sociedade, bem como para a interação com o ambiente, já que a preservação dos recursos naturais é de grande importância na qualidade de vida das gerações futuras.

Nesse contexto, a Educação Ambiental visa desenvolver a consciência da realidade global do homem com relação ao tipo de integração que estabelece com a natureza, analisando suas consequências mais profundas, para o bem ou para o mal. Promover educação para o exercício da cidadania e preservação ambiental não tem sido, entretanto, prioridade no Brasil. As iniciativas permanecem no campo da retórica, carecendo de ações efetivas e proativas. Além disso, enquanto o discurso estimula a preservação, o cuidado e o uso racional de recursos do ambiente, mediante políticas e planos de ação educativa, na prática vislumbramos o contrário. Exemplo disso é que, apesar de ser campeão mundial no reaproveitamento de garrafas pet e latas de alumínio, o país ainda despeja a maior parte dos plásticos nos lixões a céu aberto. Atualmente, apenas 327 municípios brasileiros (de um universo de 5564) dispõem de um sistema de coleta seletiva.

Países como a Alemanha, Holanda, Japão, por exemplo, estão cada dia mais preocupados e empenhados com a diminuição do impacto ambiental. O Japão é um dos países que mais reciclam no mundo. Dados da prefeitura de Tóquio indicam que, já em 2007, o Japão reciclava aproximadamente 80% do seu lixo. E as medidas sustentáveis não param por aí: um bom exemplo é a cidade de Fujusawa, a 50 km de Tóquio, que foi recém-inaugurada. Ela oferece serviços de compartilhamento de carros e bicicletas elétricas, casas alimentadas por energia solar e incentivo financeiro para a redução do consumo de energia. O país ocupa o 2º lugar no ranking de educação da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e, na prática, demonstra verdadeiro cuidado com as questões ambientais. Excelente exemplo de como aliar educação e preocupação ambiental.

Dar um destino adequado ao lixo tem sido um grande desafio para a administração pública no Brasil, pois o país reaproveita cinco vezes menos lixo do que os países mais desenvolvidos. E é preciso mudar essa realidade! Como? Há muitos exemplos consistentes e viáveis que visam à educação para mudança de hábitos e a ações alinhadas com práticas de redução da produção de lixo, transformação de resíduos em matéria-prima para utilização em outros setores, diminuição do desperdício, entre outras que contribuam para a sustentabilidade ambiental e social das cidades. O difícil é alinhar discurso e prática, embora não seja impossível.

O que se espera das futuras gerações é consciência ecológica, mas, para isso, é preciso educar e tornar o ser humano capaz de interagir com o mundo de forma que o meio ambiente seja preservado no discurso e na prática!

Bruna Silveira Ortenzi: Acadêmica do curso de Direito da UFMS – Campus de Três Lagoas/MS. E-mail: brna.silveira@gmail.com

Tânia Cabral de Oliveira: Graduada em Ciências Biológicas e Mestre em Educação pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP) – Campus de Marília/SP. Professora das Faculdades Gammon (FUNGE – Paraguaçu Paulista/SP).